População de albatrozes-de-cauda-curta supera 10 mil aves no Japão pela primeira vez em 75 anos

Espécie que chegou a ser considerada extinta apresentou crescimento de 12% em relação ao ano anterior, segundo instituto de pesquisa japonês

A população de albatrozes-de-cauda-curta, uma espécie ameaçada de extinção, ultrapassou a marca de 10 mil indivíduos pela primeira vez desde sua redescoberta há 75 anos no Japão. A informação foi divulgada pelo Instituto Yamashina de Ornitologia após uma pesquisa realizada entre fevereiro e março deste ano.

De acordo com o levantamento, foram registrados 11.067 albatrozes-de-cauda-curta na remota ilha vulcânica de Torishima, localizada no arquipélago de Izu, no Oceano Pacífico. O número representa um aumento de 12% em comparação ao ano anterior. Os pesquisadores também identificaram 1.591 filhotes durante o período de monitoramento.

A espécie chegou a ser considerada extinta após décadas de caça intensa para obtenção de penas, especialmente entre o fim do século XIX e o início do século XX. Após uma pesquisa realizada em 1949 não encontrar exemplares, acreditava-se que o albatroz-de-cauda-curta havia desaparecido completamente.

No entanto, em 1951, cerca de 10 aves foram redescobertas na ilha de Torishima, dando início aos esforços de conservação que ajudaram a recuperar gradualmente a população.

Apesar dos avanços, especialistas alertam que a espécie ainda enfrenta desafios. A atividade vulcânica de Torishima representa uma ameaça ao principal local de reprodução das aves, tornando necessária a busca por áreas mais seguras para garantir sua sobrevivência a longo prazo.

Desde os anos 2000, projetos de conservação trabalham para estabelecer uma nova colônia reprodutiva na ilha de Mukojima, no arquipélago de Ogasawara, onde a espécie já se reproduziu no passado.

Além disso, pequenos grupos de albatrozes também foram observados nas ilhas Senkaku, no Mar da China Oriental, desde 1971. No entanto, estudos recentes indicam que essas aves podem pertencer a uma espécie diferente.

Os resultados mais recentes reforçam o sucesso das iniciativas de preservação e representam um marco importante na recuperação de uma das aves marinhas mais raras do mundo.