Levantamento no Japão mostra que quase 40% das vítimas na faixa dos 40 e 50 anos ainda sofrem com traumas e dificuldades emocionais causadas pelo bullying escolar
Os impactos do bullying podem acompanhar as vítimas por muitos anos, mesmo após o término da vida escolar. É o que aponta uma pesquisa realizada no Japão por um grupo de apoio liderado por uma sobrevivente de bullying, que identificou a permanência de traumas emocionais em pessoas já na fase adulta.
O grupo “Ijime kouisho.com” analisou 252 respostas coletadas pela internet entre maio de 2021 e março de 2026. Os resultados mostram que quase 40% dos entrevistados com idade entre 40 e 59 anos afirmaram que os sintomas relacionados às experiências de bullying não melhoraram ao longo do tempo.
Entre os participantes da pesquisa, 98% relataram ter sofrido bullying na escola. Além disso, metade dos entrevistados afirmou que as agressões e perseguições duraram cinco anos ou mais.
Os sintomas mais comuns relatados pelas vítimas incluem baixa autoestima, mencionada por 84% dos participantes. Outros 77% disseram sofrer com lembranças repentinas das agressões ou pesadelos relacionados ao passado. O mesmo percentual afirmou sentir frequentemente a impressão de que outras pessoas estão falando mal deles, mesmo sem evidências concretas.
A pesquisa também revelou que os efeitos do bullying podem permanecer por décadas. Entre os entrevistados na faixa dos 40 anos, 37% disseram que os sintomas não apresentaram melhora. Entre aqueles com mais de 50 anos, o índice chegou a 39%.
Outro dado destacado pelo levantamento é a importância do apoio familiar e social durante o período em que o bullying ocorre. Mais da metade dos participantes afirmou que não recebeu ajuda de familiares nem de pessoas próximas na época das agressões.
Por outro lado, entre aqueles que receberam apoio tanto da família quanto de outras pessoas, 76% disseram ter percebido melhora nos sintomas ao longo da vida. Já entre os que não tiveram esse suporte, apenas 50% relataram alguma melhora, indicando uma diferença significativa.
Durante uma coletiva de imprensa, a líder do grupo, Natsumi Chikada, afirmou que o sofrimento das vítimas não termina quando as agressões acabam.
Segundo ela, é necessário ampliar a conscientização sobre os efeitos duradouros do bullying para que familiares, amigos e a sociedade possam oferecer mais compreensão e apoio às vítimas.
Os resultados reforçam o alerta de especialistas sobre a necessidade de prevenção ao bullying e de assistência adequada às vítimas, já que os danos emocionais podem afetar relacionamentos, autoestima e qualidade de vida por muitos anos após o fim das agressões.
