O Prejuízo da Honda pode chegar a US$ 4,3 bilhões este ano. A empresa cancelou modelos nos EUA e enfrenta forte concorrência.
A Honda Motor Co. anunciou que pode registrar seu primeiro prejuízo líquido anual desde que abriu o capital, atingida por até 2,5 trilhões de ienes (aproximadamente 15,7 bilhões de dólares) em custos de reestruturação de seu negócio de veículos elétricos (VE). O anúncio foi feito em 12 de março, enquanto a demanda por essa tecnologia, mais fraca do que o esperado, penaliza as montadoras em todo o mundo.
A montadora japonesa agora prevê um prejuízo líquido consolidado de por volta de 2,6 bilhões a 4,3 bilhões de dólares (ou até 570 bilhões de ienes) para o ano fiscal que se encerra em março. Anteriormente, o grupo havia previsto um lucro líquido de cerca de 1,8 bilhão de dólares (550 bilhões de ienes). Se confirmado, este será o primeiro prejuízo líquido anual consolidado para um ano inteiro desde que a Honda abriu o capital, em 1957. Após o anúncio, as ações da empresa listadas nos EUA caíram cerca de 8% no pré-mercado.
Mudança Estratégica e Cancelamento de Modelos
Após uma reavaliação de sua estratégia de eletrificação de automóveis, a Honda decidiu cancelar o desenvolvimento e o lançamento no mercado de três modelos de veículos elétricos que planejava produzir na América do Norte (Estados Unidos).
Enquanto analistas esperavam novas perdas relacionadas a VEs na Honda, o tamanho da baixa contábil foi uma surpresa, de acordo com Julie Boote, analista da Pelham Smithers Associates. “A principal surpresa foi que o programa de produção nos EUA foi cancelado, e não apenas reduzido. A Honda tinha um plano de expansão de VEs muito ambicioso, que foi gravemente afetado pela mudança no ambiente de mercado”, disse Boote.
Em entrevista coletiva on-line, o presidente da Honda, Toshihiro Mibe, disse que a demanda por VEs caiu drasticamente, tornando “muito difícil” sustentar a lucratividade. Mibe citou vários fatores envolvidos na decisão, incluindo a desaceleração do mercado de veículos elétricos e o surgimento de novos fabricantes. Ele afirmou que as montadoras como um todo parecem ter atingido um ponto crítico e que a decisão foi difícil, mas necessária para evitar fardos futuros.
Fatores de Mercado nos EUA e Contexto Global
Sob o governo do presidente Donald Trump, o governo dos Estados Unidos encerrou o apoio governamental a VEs, removendo incentivos fiscais. Essa desaceleração forçou empresas como a Ford e a Stellantis a repensar suas estratégias e registrar grandes baixas contábeis.
A Honda não está sozinha nesse cenário. Várias montadoras globais registraram baixas contábeis dolorosas ao reduzirem suas ambições de VEs nos últimos meses.
O encargo da Honda eleva o total da indústria para cerca de US$ 67 bilhões. A General Motors alertou sobre um impacto de US$ 7,6 bilhões, enquanto a Stellantis sinalizou US$ 25 bilhões e a Ford US$ 19 bilhões.
Baixas na China e Novas Estratégias na Índia
Além dos encargos nos EUA, a Honda também está reduzindo o valor de seu negócio na China, onde tem lutado para competir com os carros avançados e orientados por software de rivais como a BYD.
Diante da pressão de rivais chineses na Ásia e em outros lugares, as montadoras japonesas têm focado cada vez mais na Índia, um mercado onde, assim como nos Estados Unidos, as montadoras chinesas estão efetivamente barradas. Além de seus principais mercados do Japão e dos Estados Unidos, a Honda disse que fortalecerá sua linha de modelos e competitividade de custos na Índia, onde vê escopo para expansão.
Cortes Salariais e Nova Estratégia de Negócios
Como resposta à situação financeira, o presidente e CEO da Honda, Toshihiro Mibe, e o vice-presidente executivo, Noriya Kaihara, terão um corte salarial voluntário de 30% por três meses. Alguns outros executivos abrirão mão de 20% de sua remuneração, informou a Honda.
A empresa planeja anunciar uma estratégia de negócios de médio a longo prazo reformulada no próximo ano fiscal.
Com informações via Asahi Shimbun e NHK Workd Japan
