Japão lança primeiro aparelho do mundo que usa eletricidade estática para combater ervas daninhas

Dispositivo inovador desenvolvido por professor da Universidade Kindai e empresas de Osaka promete facilitar o controle de plantas invasoras em cercas e encostas

O primeiro dispositivo do mundo que controla ervas daninhas usando eletricidade estática começou a ser vendido no Japão. A tecnologia foi desenvolvida por um professor da Universidade Kindai, em Nara, em parceria com duas empresas de Osaka.

O aparelho é formado por uma moldura quadrada de 95 centímetros com duas camadas de tela metálica. Ele se conecta a um equipamento elétrico comumente usado para evitar danos causados por animais. Quando instalado sobre cercas, o dispositivo previne de forma eficiente o crescimento excessivo de ervas daninhas.

O professor Yoshinori Matsuda, da Faculdade de Agricultura da Universidade Kindai, tem se dedicado a pesquisar o uso da eletricidade estática no combate a pragas e vírus. Ao perceber o avanço das ervas daninhas durante o verão, voltou seus estudos para esse problema. Em testes realizados no campus, as partes das plantas que tocaram a tela energizada secaram com o choque elétrico, mostrando que o aparelho é muito eficaz para conter o crescimento dessas plantas.

O funcionamento é simples: duas telas metálicas ficam separadas por cerca de 3 centímetros dentro da moldura. Uma delas recebe uma corrente elétrica fraca, de aproximadamente 1 miliampere, por 0,03 segundo a cada segundo. Essa intensidade é comparável à eletricidade estática gerada por carros no inverno, o que torna o sistema seguro para pessoas e sem risco de incêndio. A outra tela serve como aterramento.

O sistema funciona com energia solar gerada por células solares próprias, eliminando a necessidade de cabeamento e tornando a instalação fácil.

Uma versão específica para terrenos inclinados também está sendo finalizada e deve ser lançada em breve. Segundo os criadores, o equipamento pode ser muito útil para empresas responsáveis por grandes áreas, como operadoras de rodovias e instalações da NTT (empresa de telecomunicações do Japão).

Matsuda explicou que, diferentemente das ervas daninhas no solo — que podem ser cortadas com máquinas —, as que crescem entre cercas só podem ser removidas manualmente, o que toma tempo. Mesmo que aparentem estar mortas no inverno, essas plantas continuam vivas e voltam a crescer no ano seguinte. Além disso, como o custo da remoção costuma ser calculado por área, esse tipo de trabalho nem sempre é refletido corretamente no orçamento.

A versão para encostas usa a mesma tecnologia, mas é colocada sobre uma base especial. Apenas as folhas e caules que tocam a tela secam, enquanto as raízes permanecem vivas — o que mantém o efeito natural das plantas na prevenção de deslizamentos de terra.

O professor comentou:

“A situação com as ervas daninhas se tornou mais grave do que com pragas ou vírus. Por isso, desenvolvemos esse dispositivo de controle. É fácil de instalar e, se nossos estudos puderem ajudar a sociedade, será uma grande alegria como pesquisador.”