BOJ mantém taxa de juros e alerta sobre impacto de tarifas de Trump

Presidente Kazuo Ueda, diz que próximos aumentos dependem dos efeitos das novas tarifas dos EUA na economia japonesa.

O Banco do Japão decidiu manter sua taxa de juros em 0,5%, enquanto monitora os impactos das tarifas comerciais impostas pelo governo de Donald Trump sobre a economia japonesa. O presidente do BOJ, Kazuo Ueda, afirmou que há “um alto grau de incerteza” em relação às políticas comerciais dos EUA e que o próximo aumento da taxa dependerá de como essas medidas afetarão a inflação e o crescimento do país.

A decisão foi tomada após uma reunião de dois dias, na qual o BOJ avaliou os recentes aumentos nos preços ao consumidor e as promessas de reajustes salariais feitas por grandes empresas japonesas.

Novos aumentos de juros podem ocorrer no verão
Desde março do ano passado, o BOJ já elevou sua taxa de juros três vezes, encerrando uma década de política monetária ultrafrouxa. O próximo aumento, esperado para o verão, deve levar a taxa para 0,75%, o maior nível em quase 30 anos.

O economista-chefe do Dai-ichi Life Research Institute, Hideo Kumano, destacou que Ueda adotou um tom neutro sobre os próximos passos do BOJ, evitando gerar especulação no mercado financeiro. No entanto, analistas apontam que essa postura pode ser um sinal de que o próximo aumento da taxa está próximo.

Os juros de longo prazo no Japão subiram recentemente, com o rendimento dos títulos do governo de 10 anos atingindo 1,575% em 10 de março, o maior nível em 16 anos. Esse aumento pressiona os custos de financiamento e pode impactar ainda mais as famílias, que já enfrentam altos preços dos alimentos e moradia.

Inflação persiste e salários sobem
A inflação no Japão permanece acima da meta de 2% do BOJ há quase três anos. Em janeiro, os preços ao consumidor subiram 3,2% em relação ao ano anterior, o maior aumento em 19 meses. Os preços do arroz, por exemplo, tiveram a maior alta desde 1971, e alimentos como couve e tomate também ficaram mais caros devido a condições climáticas desfavoráveis e custos de produção elevados.

Para aliviar a pressão sobre os trabalhadores, empresas japonesas concordaram em aumentar os salários em média 5,46%, de acordo com um relatório preliminar do Confederação Sindical do Japão.

Apesar do avanço, o BOJ segue monitorando dados salariais e padrões de consumo antes de decidir sobre futuros aumentos de juros. O mercado prevê que o banco continuará ajustando sua política monetária a cada seis meses, alinhado ao ritmo das recentes elevações.