Pequim rejeita declaração japonesa sobre Taiwan e reitera alerta de viagem, alegando aumento da discriminação. Hokkaido prevê perda de 40 mil turistas.
O desentendimento diplomático entre Japão e China continua a se aprofundar, com Pequim rejeitando a resposta oficial de Tóquio sobre os comentários da Primeira-Ministra Sanae Takaichi a respeito de uma possível emergência em Taiwan. Paralelamente, a Embaixada chinesa em Tóquio intensificou o alerta de viagem, citando um suposto aumento de incidentes discriminatórios, o que deve gerar um impacto econômico direto no turismo japonês.
China Exige Retirada de Comentários
Em uma reunião do Gabinete na terça-feira (25/11), o governo japonês decidiu responder formalmente à oposição sobre a declaração de Takaichi. O documento reafirmava que a administração mantém “totalmente a posição convencional” de fazer julgamentos de forma “objetiva e racional”.
No entanto, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, rejeitou a declaração japonesa na quarta-feira (26/11):
“A declaração não é adequada. O lado japonês deve articular de forma honesta, precisa e completa qual é essa posição consistente.”
Mao Ning reiterou a posição oficial de Pequim:
- Retirada: O Japão deve retirar as observações “errôneas”.
- Compromissos: O Japão precisa honrar seus compromissos políticos com a China por meio de ações concretas.
Alerta de Viagem Reforçado e Acusações Sociais
Em meio à escalada diplomática, a Embaixada da China em Tóquio reiterou na noite de quarta-feira o apelo para que cidadãos chineses se abstenham de viajar ao Japão, reforçando o pedido inicial emitido em 14 de novembro.
O novo comunicado da embaixada levantou uma questão social controversa:
- Alegação Chinesa: O número de relatos de incidentes discriminatórios, incluindo agressão verbal e física contra chineses no Japão, estaria aumentando “acentuadamente” desde julho.
- Rejeição Japonesa: O governo de Tóquio nega veementemente a alegação, dizendo que “não procede a sugestão de Pequim, de que cidadãos chineses no Japão sofreriam crescente risco”.
O Japão depende fortemente do turismo chinês, que representou a maior proporção de viajantes estrangeiros entre janeiro e outubro (8,2 milhões de pessoas).
Impacto Econômico Imediato: O Caso Hokkaido
Os apelos de Pequim já se traduzem em perdas tangíveis no setor de viagens.
A operadora do Novo Aeroporto de Chitose, o mais movimentado de Hokkaido (Norte do Japão), estima que 30.000 a 40.000 pessoas não conseguirão visitar a província até março do próximo ano devido a cancelamentos.
- Cancelamento Específico: A companhia aérea chinesa Sichuan Airlines cancelou os serviços planejados entre o Novo Aeroporto de Chitose e Chengdu, que ocorreriam entre janeiro e março.
A operadora do aeroporto declarou que tentará reduzir a dependência de um único país, buscando minimizar as perdas causadas pelo atrito político.
