Decisão histórica retira status religioso da organização acusada de extorquir fiéis.
O Tribunal Distrital de Tóquio ordenou a dissolução da Igreja da Unificação, organização religiosa acusada de arrecadar doações milionárias de forma abusiva. A decisão foi tomada após um pedido do governo japonês e retira da igreja seu status de instituição religiosa com benefícios fiscais, embora ela ainda possa continuar operando no Japão.
Essa é a primeira vez que uma organização religiosa no Japão é dissolvida por violações do direito civil, e apenas a terceira a receber tal ordem por infrações legais.
Segundo a sentença, a igreja causou danos significativos aos fiéis e não havia alternativa além da dissolução, classificando a decisão como uma “ação legal inevitável”. O tribunal revelou que a organização extorquiu pelo menos 20,4 bilhões de ienes (cerca de R$ 678 milhões) de mais de 1.500 pessoas.
A igreja afirmou em comunicado que irá recorrer imediatamente da decisão no Tribunal Superior de Tóquio e criticou a medida, alegando que ela “poderá criar problemas para todas as organizações religiosas no futuro”.
Investigação e impacto político
O pedido de dissolução foi feito em outubro de 2023 pela pasta da Cultura do MEXT após meses de investigações sobre as práticas da igreja.
A ministra da Cultura, Toshiko Abe, afirmou que a decisão da Justiça reflete os argumentos do governo. Já o chefe do gabinete ministerial, Yoshimasa Hayashi, prometeu um esforço conjunto para garantir a aplicação rigorosa da lei e oferecer suporte total às vítimas da organização.
O caso teve grande repercussão após o assassinato do ex-primeiro-ministro japonês Shinzo Abe, em 2022. O suspeito confessou ter cometido o crime por ódio à Igreja da Unificação, que, segundo ele, arruinou financeiramente sua família devido às doações milionárias de sua mãe. Após o atentado, vieram à tona ligações entre políticos do Partido Liberal Democrático e a igreja, gerando grande escândalo no Japão.
Outros casos de dissolução no Japão
Apenas duas outras organizações religiosas foram dissolvidas judicialmente no Japão:
– AUM Shinrikyo, seita responsável pelo ataque com gás sarin no metrô de Tóquio em 1995, que matou 13 pessoas e feriu milhares.
– Grupo do templo Myokakuji, cujos sacerdotes enganavam fiéis alegando que estavam possuídos por espíritos malignos para cobrar exorcismos.