Primeira-ministra do Japão defende diálogo com a China apesar de tensões diplomáticas

Sanae Takaichi diz que Japão nunca fechou as portas para conversas, mesmo após polêmica sobre Taiwan

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, afirmou nesta segunda-feira que o país continua disposto a dialogar com a China, mesmo com as relações bilaterais ainda tensas após declarações feitas por ela sobre Taiwan há dois meses.

Durante sua primeira coletiva de imprensa do ano, Takaichi disse que a comunicação é essencial para lidar com preocupações e desafios entre os dois países. A declaração foi feita após sua visita ao santuário Ise Jingu, em Mie, uma tradição de Ano Novo seguida pelos primeiros-ministros japoneses.

Segundo Takaichi, o Japão segue aberto a diferentes formas de diálogo com a China e nunca fechou essa possibilidade. Ela destacou a importância de manter canais de conversa ativos, mesmo em momentos de divergência.

Em 7 de novembro, a primeira-ministra afirmou no parlamento que um possível ataque da China a Taiwan poderia representar uma ameaça direta à existência do Japão. Ela também disse que o país poderia apoiar os Estados Unidos com suas Forças de Autodefesa, caso Washington defendesse a ilha, que é uma democracia.

As declarações irritaram o governo chinês, que considera Taiwan uma cidade rebelde e parte de seu território. Como reação, a China adotou medidas que podem afetar a economia japonesa, como a emissão de alertas de viagem para seus cidadãos evitarem o Japão.

Desde que assumiu o cargo, em outubro, Takaichi se encontrou apenas uma vez com o presidente chinês, Xi Jinping, pouco antes das declarações sobre Taiwan.

Na coletiva, a primeira-ministra também comentou a situação internacional e disse que o Japão fará esforços diplomáticos para restaurar a democracia na Venezuela e ajudar a estabilizar o país, após a captura do presidente Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos no sábado. No entanto, ela evitou comentar diretamente sobre a legalidade da ação.

Na área econômica, Takaichi afirmou que o Japão pretende alcançar mais de 50 trilhões de ienes em investimentos públicos e privados no setor de inteligência artificial. Para isso, o governo deve usar mais de 10 trilhões de ienes em apoio público, com impacto econômico estimado em até 160 trilhões de ienes.

Por fim, a primeira-ministra prometeu reduzir gradualmente a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB). A fala busca responder às preocupações do mercado financeiro sobre sua política de gastos elevados, que poderia enfraquecer ainda mais o iene e elevar os juros dos títulos do governo.