Bolsa de Tóquio abre o ano com recorde histórico, impulsionada por tecnologia e otimismo com as políticas de Sanae Takaichi, apesar da tensão na Venezuela.
O mercado financeiro japonês iniciou 2026 em clima de celebração e euforia. Após o tradicional recesso de Ano Novo, a Bolsa de Valores de Tóquio (TSE) realizou sua cerimônia de abertura nesta segunda-feira (5 de janeiro), marcada pela tradicional salva de palmas (tejime) e discursos que reforçam a confiança na “economia mais forte” prometida pelo gabinete Takaichi.
O índice Nikkei 225 não apenas manteve o fôlego de 2025 (ano em que saltou 26%), como disparou quase 3% logo no primeiro pregão, consolidando-se acima da barreira psicológica dos 51.000 pontos.
Principais Destaques do Pregão de Abertura
A combinação de um iene enfraquecido e o foco governamental em tecnologia de ponta criou o ambiente perfeito para os investidores.
- Recorde Histórico: O Nikkei fechou em 51.832,80 pontos (+2,97%), atingindo o nível mais alto em dois meses. O índice Topix também bateu recorde de fechamento.
- Impulso da Tecnologia: Empresas ligadas a semicondutores e Inteligência Artificial (IA) lideraram os ganhos, seguindo a tendência de Wall Street e a expectativa de fortes investimentos sob as políticas fiscais expansivas de Sanae Takaichi.
- Iene e Exportações: A moeda japonesa operando na casa dos 157 ienes por dólar favoreceu gigantes exportadoras, cujos lucros aumentam com a conversão de divisas estrangeiras.
- Juros em Alta: O rendimento dos títulos públicos de 10 anos atingiu 2,125%, o maior patamar desde fevereiro de 1999, refletindo o fim da era de juros negativos e o temor de inflação.
O “Fator Venezuela” e o Refúgio em Metais Preciosos
A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelas forças dos EUA durante o fim de semana gerou ondas de choque, mas o mercado de ações japonês viu o impacto como limitado. O reflexo maior foi sentido nas commodities:
- Metais como Porto Seguro: Com a incerteza geopolítica, investidores correram para ativos de proteção. O Ouro subiu 2%, enquanto a Prata e a Platina saltaram 6%.
- Petróleo em Alta Moderada: O barril de Brent subiu para US$ 60,89. Embora a Venezuela tenha as maiores reservas do mundo, analistas preveem que levará anos de investimento para que a produção retome níveis históricos.
| Índice / Ativo | Valor / Fechamento | Desempenho |
| Nikkei 225 (Japão) | 51.832,80 | +2,97% |
| Kospi (Coreia do Sul) | 4.406,55 | +2,3% |
| S&P 500 (EUA – Futuro) | 6.858,47 | +0,2% |
| Dólar/Iene | 157,15 | (Iene desvalorizado) |
| Petróleo Brent | US$ 60,89 | Alta leve |
Vozes do Governo e do Mercado
A ministra das Finanças, Katayama Satsuki, destacou que 2026 será o ano decisivo para o Japão abandonar definitivamente a deflação. Já o CEO do Japan Exchange Group, Yamaji Hiromi, afirmou que o crescimento atual é sustentado pela recuperação do consumo privado e pelo robusto desempenho das empresas listadas.
No setor corporativo, o destaque negativo veio dos EUA, onde a Tesla reportou queda nas vendas pelo segundo ano consecutivo, enquanto empresas de móveis subiram após o adiamento de tarifas por Donald Trump.
