Pesquisa alerta para aumento de encontros entre ursos e humanos no Japão em 2027

Boa safra de castanhas em 2026 pode resultar em falta de alimento e mais ataques no ano seguinte, diz centro de pesquisa de Akita

Pesquisadores japoneses alertaram que o nordeste do Japão pode registrar novamente um aumento de ursos se aproximando de áreas habitadas em 2027. O motivo seria uma boa safra de castanhas de faia esperada para 2026, que normalmente é seguida por uma colheita ruim no ano seguinte, segundo um centro de pesquisa de Akita.

De acordo com o Centro de Pesquisa e Treinamento Florestal de Akita, os anos de boa e má produção dessas castanhas vêm se alternando desde 2021. Quando a colheita é ruim, cresce o número de ursos que entram em cidades e vilarejos em busca de alimento.

Somente em 2025, mais de 50 pessoas ficaram feridas em ataques de ursos em Akita. O centro explica que, em anos de colheita abundante, os ursos se alimentam bem e se reproduzem mais, aumentando a população. Já nos anos seguintes, com menos alimento disponível, mais animais se aproximam das áreas humanas.

A pesquisa analisou desde 2002 o desenvolvimento das castanhas de faia em cinco regiões da cidade. Esse alimento, altamente nutritivo para os ursos, amadurece por volta de outubro. Antes, acreditava-se que grandes colheitas ocorriam a cada cinco ou sete anos, mas após um longo intervalo, anos bons foram registrados em 2013, 2015 e 2018, sempre seguidos por safras ruins.

O estudo também mostrou que 2022 e 2024 tiveram uma produção excepcionalmente alta de castanhas em comparação com anos anteriores. Segundo o pesquisador Satoru Wada, nos últimos anos, toda colheita boa foi seguida por uma colheita ruim. Ele afirma que ainda não se sabe exatamente por que o ciclo mudou, mas o aquecimento global e os verões mais quentes podem estar influenciando.

Wada alertou ainda para o risco na primavera de 2026, após uma possível colheita ruim. Nesse período, os ursos saem da hibernação e procuram castanhas caídas no chão, mas encontram pouca comida. Além disso, as plantas das montanhas ainda não brotaram.

“Sem castanhas e com pouca vegetação disponível, há muito pouco para os ursos comerem”, disse Wada, reforçando o alerta para possíveis novos encontros perigosos entre humanos e ursos.