Recorde de embarcações chinesas no estreito de Osumi: Vigilância sob alerta no sul do Japão

Aumento histórico nas passagens navais em 2025 levanta preocupações sobre espionagem eletrônica contra a nova base militar em Mageshima.

O Ministério da Defesa do Japão registrou um recorde alarmante em 2025: 15 embarcações navais chinesas transitaram pelo Estreito de Osumi, no sul do país. Esse volume representa um salto significativo em relação aos anos anteriores e acende um alerta sobre as reais intenções de Pequim na região. A principal suspeita é de que a China esteja monitorando de perto a construção da base da Força Aérea de Autodefesa (ASDF) na ilha de Mageshima, na província de Kagoshima, com conclusão prevista para março de 2030.

O interesse estratégico chinês reside no fato de que Mageshima será utilizada para o treinamento de pouso e decolagem em porta-aviões (FCLP) das forças dos Estados Unidos. Oficiais de defesa japoneses destacam a presença frequente de navios de reconhecimento eletrônico da classe Dongdiao, especializados em interceptar comunicações de rádio e coletar dados sobre trajetórias de voo e controle de tráfego aéreo. Como o Estreito de Osumi é classificado pelo Japão como uma “área marítima especificada”, suas águas territoriais são reduzidas de 12 para apenas 3 milhas náuticas no centro, criando um corredor internacional que permite a passagem legal dessas embarcações, dificultando uma resposta jurídica direta por parte de Tóquio.

Estreito de Osumi (Reprodução: ASAHI)

Especialistas, como Bonji Ohara da Sasakawa Peace Foundation, alertam que tanto as Forças de Autodefesa quanto os militares americanos terão de operar sob a consciência de uma vigilância constante. O aumento gradual nas passagens, de apenas sete em 2023 para as atuais 15, sugere que o Estreito de Osumi tornou-se um ponto focal para a inteligência chinesa, o que deve forçar o governo da primeira-ministra Sanae Takaichi a revisar as posturas de segurança e as táticas de contramedidas eletrônicas na região para proteger segredos militares sensíveis.

Com informações via Asahi Shimbun