ANA planeja entregas com drones no Japão até 2029

Empresa aérea quer usar drones automáticos para levar remédios e produtos a áreas remotas

A ANA Holdings Inc., grupo que controla uma das maiores companhias aéreas do Japão, estuda oferecer serviços de entrega automatizada com drones até março de 2029. A informação foi confirmada por executivos da empresa nesta sexta-feira, em meio ao avanço do uso dessa tecnologia no país por causa da falta de mão de obra no setor de logística.

A empresa já realizou testes com drones em diversas regiões, incluindo de Okinawa, no sul do Japão, e agora pretende intensificar os estudos para colocar o serviço em operação comercial.

A iniciativa é impulsionada por mudanças na legislação japonesa. Desde o fim de 2022, uma lei revisada permite que drones operados remotamente voem além da linha de visão do operador sobre áreas habitadas. Antes disso, esse tipo de voo só era autorizado em locais desabitados, como montanhas, rios e áreas agrícolas.

A nova regra abriu caminho para que regiões pouco povoadas e áreas remotas se beneficiem das entregas aéreas, especialmente diante da escassez de motoristas de caminhão no país.

Outras empresas já testam esse modelo. A Japan Post realizou entregas de encomendas em uma vila no oeste de Tóquio, enquanto a KDDI e a Japan Airlines transportaram itens médicos para comunidades da mesma região.

A ANA pretende utilizar drones desenvolvidos pela empresa americana Skyways Air Transportation. Os equipamentos têm cerca de 3 metros de comprimento, envergadura de 7 metros, capacidade de carga de até 50 quilos e alcance máximo de aproximadamente 1.600 quilômetros. Os voos serão totalmente monitorados e operados à distância.

Além da entrega de medicamentos e produtos de uso diário para ilhas remotas, a empresa planeja usar os drones em situações de desastre, para levar suprimentos de emergência e avaliar os danos causados.

Segundo a ANA Holdings, a meta é inaugurar a primeira base completa de decolagem e pouso até o fim do ano de 2028, com cobertura em um raio de 500 quilômetros. As regiões de Kyushu e Okinawa estão entre as principais candidatas. Após isso, a empresa pretende abrir uma ou duas novas bases por ano para ampliar a área de atendimento.