Sonho americano ou pesadelo burocrático? Queda nos vistos de estudante para os EUA assusta japoneses e brasileiros

Queda nos vistos de estudante para os EUA em 2025 reflete políticas rígidas de Trump. Jovens apagam redes sociais para evitar rejeição na imigração.

Se você achava que passar no vestibular era difícil, tente conseguir um visto para estudar na terra do Tio Sam sob a nova gestão Trump. Dados recentes do Departamento de Comércio dos EUA mostram que a “Terra da Liberdade” fechou a porta na cara de cerca de 3.000 estudantes japoneses em 2025, comparado ao ano anterior.

Parece que o plano de estudos de muita gente foi substituído por um plano de “esperar sentado”.

O “Efeito Trump” nas Universidades

A partir de maio de 2025, o gráfico de entrada de estudantes japoneses nos EUA despencou mais rápido que bateria de celular viciado. Em novembro, o número total parou em 26.635, quase 3 mil a menos que no ano anterior.

O motivo? A administração Donald Trump resolveu apertar o cinto (e a paciência) das universidades, pressionando gigantes como Harvard e tornando o processo de triagem para os vistos de estudante para os EUA uma verdadeira maratona de obstáculos. O Departamento de Estado chegou a emitir 40% menos vistos em maio de 2025 do que a média histórica. Depois disso? Pararam de divulgar os números, talvez para não assustar ainda mais.

Uma pessoa fotografa outra no campus da Universidade de Harvard, em Massachusetts, Estados Unidos, em 30 de maio de 2025. (Imagem via ASAHI)

Apague seus posts sobre o clima (Sério!)

A situação ficou tão tensa que parece episódio de Black Mirror. Uma estudante de 19 anos, que tinha bolsa garantida em uma universidade de prestígio, teve que adiar o sonho em um ano. O motivo? As entrevistas foram suspensas e ela simplesmente não conseguiu o visto a tempo.

Mas o detalhe tragicômico é outro: relatos indicam que a imigração americana está fazendo a “fina arte” de stalkear as redes sociais dos candidatos. A mesma estudante, com medo de ser barrada, deletou sua conta onde falava sobre mudanças climáticas, já que o presidente Trump não é exatamente o maior fã desse tópico.

“Fico ansiosa por não podermos falar livremente”, desabafou a jovem.

A liberdade de expressão mandou lembranças, mas o desejo de estudar na Ivy League falou mais alto.

Haja Coração (e Paciência)

Apesar do caos, os Estados Unidos continuam sendo o destino nº 1 dos estudantes japoneses (segundo o Ministério da Educação do Japão). Midori Matsunaga, de uma agência de intercâmbio, resume bem o espírito da coisa: “Se você quer estudar fora, precisa ter sangue frio”.

Não houve uma desistência em massa das universidades de ponta, mas sim uma adaptação forçada. Os pais estão preocupados? Sim. Os alunos estão estressados? Com certeza. Mas a fila para o “American Dream” continua andando… só que agora ela é mais lenta e requer uma limpeza no histórico do Twitter.

E para os brasileiros, qual a situação?

Assim como no Japão, o “sonho americano” para estudantes brasileiros enfrentou turbulências em 2025 e segue desafiador em 2026. A política de “imigração extrema” do segundo governo Trump não discriminou nacionalidades: as barreiras burocráticas e a vigilância digital atingiram o Brasil com força similar, embora com algumas nuances locais.

É dificil, tem qu ter paciência, mas ainda dá para sonhar. (Imagem: Divulgação)

Aqui está o comparativo direto entre a situação relatada no Japão e a realidade brasileira:

1. A Queda nos Números (O “Tombo” Brasileiro)

Enquanto o Japão viu uma queda de cerca de 3.000 estudantes, o Brasil seguiu uma tendência parecida, embora os números absolutos variem.

  • Dados: No primeiro semestre do ano fiscal de 2025, a emissão de vistos de estudante (F-1) para brasileiros caiu cerca de 8,8%.
  • Contexto: Embora a queda percentual do Brasil pareça menor do que a de países como Índia (que despencou mais de 40%), ela interrompe uma tendência de crescimento que vinha desde o pós-pandemia. O motivo é o mesmo do Japão: insegurança jurídica e medo de rejeição.

2. Redes Sociais: O “Big Brother” é Real aqui também

O relato da estudante japonesa que deletou redes sociais não é paranoia; é a nova regra.

  • No Brasil: Em junho de 2025, a Embaixada dos EUA no Brasil confirmou que solicitaria a verificação de redes sociais para vistos de estudante. A instrução foi clara: perfis devem estar públicos para análise.
  • O Risco: Assim como a japonesa temeu por seus posts sobre clima, brasileiros com postagens críticas à política americana ou com palavras-chave consideradas “hostis” (mesmo em memes) entraram na zona de risco de negativa por “ameaça à segurança nacional”.

3. O “Taxaço”: A Nova Barreira Invisível

Além da dificuldade técnica, houve um aumento brutal no custo, que afeta desproporcionalmente os brasileiros devido à desvalorização do Real frente ao Dólar.

  • Nova Taxa: A implementação da Visa Integrity Fee (Taxa de Integridade de Visto) adicionou custos ao processo.
  • Impacto: Para uma família brasileira, o custo total (taxa consular + taxa SEVIS + nova taxa + IOF) tornou o processo financeiramente proibitivo para a classe média, algo que no Japão (com renda média maior) é um incômodo, mas no Brasil é excludente.

4. Filas e Entrevistas: Uma Pequena Vantagem Brasileira?

Aqui temos uma diferença interessante. Enquanto o texto japonês relata uma suspensão de entrevistas que gerou caos e atrasos de um ano:

  • Situação Atual (2026): O Brasil conseguiu normalizar o fluxo mais rápido. Em grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro, a fila para vistos de estudante (F, M, J) está girando em torno de 30 dias ou menos neste início de 2026.
  • Diferença: Ao contrário dos vistos de turismo (B1/B2) que ainda enfrentam filas longas, a prioridade consular para estudantes no Brasil funcionou melhor do que a “paralisia” relatada em Tóquio.
FatorSituação no Japão (Texto)Situação no Brasil (2026)
Emissão de VistosQueda abrupta (~3.000 a menos)Queda moderada (~9% em dados parciais)
Redes SociaisMedo e auto-censura (contas deletadas)Monitoramento oficial confirmado pela Embaixada
EntrevistasSuspensas/Atrasos de 1 anoFluxo normalizado (espera curta para estudantes)
Principal BarreiraBurocracia e triagem ideológicaCusto financeiro (Câmbio + Novas Taxas)

Veredito: O estudante brasileiro enfrenta a mesma vigilância ideológica do japonês, mas sofre mais com o custo financeiro. Por outro lado, se tiver dinheiro para pagar as novas taxas, consegue agendar a entrevista mais rápido do que o colega de Tóquio.

Com informações via Asahi Shimbun