Pequenas e médias empresas são as mais afetadas pela crise de mão de obra e inflação. Especialistas preveem aumento moderado de falências no Japão em 2026.
A economia japonesa acendeu o sinal vermelho. Pelo segundo ano consecutivo, o número de falências no Japão ultrapassou a barreira dos 10.000 casos, atingindo o nível mais alto desde 2013. Segundo o relatório da Tokyo Shoko Research divulgado nesta terça-feira (13), as pequenas e médias empresas (PMEs) são as principais vítimas desse cenário, representando 76,6% de todos os fechamentos.
No total, 10.300 empresas com dívidas superiores a 10 milhões de ienes (aprox. US$ 63.000) encerraram suas atividades em 2025, um aumento de 2,9% em relação ao ano anterior.
Os Três Vilões das Empresas Japonesas
O fechamento de portas não é apenas uma questão de má gestão, mas um reflexo de mudanças estruturais profundas no país:
- Apagão de Mão de Obra (Recorde): As falências causadas pela falta de funcionários deram um salto assustador de 36%, atingindo um recorde histórico de 397 casos. Simplesmente não há pessoas suficientes para manter as operações.
- Inflação e Preços Altos: O custo de materiais e energia levou 767 empresas à falência, um aumento de 9,3%.
- Juros em Alta: Pela primeira vez em décadas, o aumento das taxas de juros no Japão começou a asfixiar empresas que dependiam de crédito barato.
Setores Mais Atingidos
O setor de Serviços, que inclui restaurantes e hotelaria, foi o mais castigado devido à dificuldade de repassar custos ao consumidor e à falta de garçons e atendentes.
| Setor | Número de Falências | Aumento % |
| Serviços (Restaurantes) | 3.478 | +4,5% |
| Construção Civil | 2.014 | +4,7% |
| Indústria de Transformação | 1.186 | +3,9% |
O que esperar para o resto de 2026?
A previsão dos analistas de crédito não é das mais otimistas. Embora o passivo total (a soma das dívidas) tenha caído 32,1% (o que significa que as falências são de empresas menores e não de gigantes), a tendência é de um aumento moderado ao longo de 2026.
Três fatores externos devem ser monitorados de perto:
- Tarifas Americanas: A política protecionista de Donald Trump pode encarecer as exportações japonesas.
- Relação Japão-China: A deterioração diplomática afeta cadeias de suprimentos cruciais.
- O “Takaichi Trade”: Como vimos na bolsa de valores, a política da PM Sanae Takaichi de aumentar gastos pode desvalorizar ainda mais o iene, encarecendo importações para as pequenas empresas.
“Estamos vendo o fim da era das empresas ‘zumbis’ que sobreviviam apenas com juros zero. A seleção de mercado agora é brutal.” disse o Analista da Tokyo Shoko Research.
Co informações via Mainichi Shimbun
