Montanha-russa em Tóquio: Nikkei recua após recordes e Banco do Japão evita atrito com Trump

O mercado japonês viveu um dia de ajustes nesta quinta-feira, enquanto o Banco do Japão optou pelo silêncio diplomático para não comprometer a estratégia eleitoral de Sanae Takaichi.

O mercado financeiro japonês encerrou esta quinta-feira, 15 de janeiro, com sinais mistos e uma forte dose de cautela geopolítica. Após uma sequência de três dias de altas históricas, o índice Nikkei 225 recuou 0,42%, fechando em 54.110,50 pontos. O movimento foi influenciado principalmente pelo recuo das gigantes de tecnologia e semicondutores, que seguiram o tom negativo vindo de Wall Street.

Pessoas caminham em frente a um painel eletrônico que exibe o índice Nikkei do Japão em uma corretora de valores, em 15 de janeiro de 2026, em Tóquio. (Imagem via Associated Press)

Tecnologia em Queda e o “Efeito Nvidia”

O setor de semicondutores, que vinha impulsionando a bolsa de Tóquio, sofreu um duro golpe. Relatórios indicando que autoridades chinesas proibiram a entrada de chips de inteligência artificial da Nvidia (modelo H200) no país causaram uma onda de vendas.

Por outro lado, o setor bancário e automotivo ajudou a equilibrar as perdas. As ações da Toyota Industries saltaram 6% após notícias de que a montadora Toyota aumentou sua oferta de recompra de ações, sinalizando confiança no setor industrial.

O Silêncio Estratégico do Banco do Japão

Um dos temas mais comentados nos bastidores de Tóquio é a decisão do Banco do Japão (BOJ) de não assinar a carta mundial em apoio a Jerome Powell, chefe do Federal Reserve dos EUA. Powell vem sofrendo ameaças de indiciamento criminal pela administração de Donald Trump, o que gerou um manifesto de diversos bancos centrais em defesa da independência institucional.

O governador do Banco do Japão, Kazuo Ueda, participa de uma coletiva de imprensa após uma reunião de política monetária do Banco do Japão em Tóquio, em 30 de outubro. (Imagem via REUTERS)

O BOJ, no entanto, preferiu o silêncio. Analistas apontam que a instituição consultou o governo, mas a equipe de Sanae Takaichi hesitou em autorizar o apoio.

“A razão pela qual não pudemos dizer sim imediatamente é, em parte, devido ao nosso relacionamento com os Estados Unidos” disse uma fonte do governo sob condição de anonimato.

A decisão visa proteger a primeira-ministra de qualquer atrito direto com Trump, com quem ela afirma manter uma relação próxima, especialmente agora que o PLD se prepara para as eleições de fevereiro.

Iene e Intervenção no Radar

No mercado de câmbio, o dólar recuou levemente para a faixa de 158 ienes. A queda é reflexo direto das declarações da Ministra das Finanças, Satsuki Katayama, que reforçou que o governo está pronto para agir contra a desvalorização excessiva da moeda.

“Responderemos adequadamente a movimentos excessivos, incluindo os especulativos, sem excluir nenhuma opção” disse Katayama após o iene tocar a marca de 159 na última terça-feira.

A expectativa de que uma vitória eleitoral de Sanae Takaichi resulte em gastos fiscais agressivos continua sendo o principal combustível para o mercado, embora economistas alertem que o otimismo pode estar superando os fundamentos econômicos reais do momento.

Com infromações via Asahi Shimbun e Mainichi Shimbun