Memória e lição: Japão relembra os 31 anos do Grande Terremoto de Hanshin-Awaji

Milhares de pessoas se reuniram em Kobe para homenagear as 6.434 vítimas do desastre de 1995 e reforçar a importância da prevenção para as futuras gerações.

O silêncio tomou conta do parque Higashi Yuenchi, em Kobe, às 5h46 da manhã deste sábado, 17 de janeiro. No exato momento em que o Grande Terremoto de Hanshin-Awaji atingiu a região há 31 anos, centenas de pessoas baixaram suas cabeças em oração. Cerca de 7.000 lanternas de bambu e papel foram acesas, formando a palavra japonesa tsumugu, que significa tecer ou passar adiante as experiências das vítimas para o futuro.

Participantes observam um minuto de silêncio às 5h46 da manhã do dia 17 de janeiro em um evento em memória das vítimas realizado no parque Higashi Yuenchi, em Kobe. (imagem via Asahi Shimbun)

O sismo de magnitude 7,3, ocorrido em 1995, deixou uma cicatriz profunda no oeste do Japão, resultando em 6.434 mortes e destruindo milhares de lares. Hoje, o desafio é manter viva a memória de um evento que muitos dos atuais moradores e funcionários públicos sequer eram nascidos para presenciar.

Moradores da área de Nigawayurinocho, em Nishinomiya, província de Hyogo, rezam no dia 17 de janeiro pelas 34 vítimas. (Imagem via Asahi)

Abaixo, um vídeo com as homenagens:

A Dor de Quem Ainda Procura

Um dos momentos mais emocionantes da cerimônia foi o discurso de Etsuko Sato, de 62 anos. Sua mãe, Masako, é uma das três pessoas que permanecem oficialmente listadas como desaparecidas desde o tremor. Sato explicou que nunca ergueu um túmulo para a mãe por não ter restos mortais, tornando o memorial no parque o único lugar onde pode rezar por ela.

Etsuko Sato fala no evento memorial realizado em 17 de janeiro no parque Higashi Yuenchi de Kobe. (Imagem via Asahi)

“O desastre não termina apenas porque o tremor parou” disse Etsuko Sato em seu discurso. “Onde você está, mamãe? Não nos vemos há 31 anos. Não devemos esquecer aqueles que continuam procurando por familiares ou aqueles que ainda sentem o desejo de reencontrar seus entes queridos” disse a sobrevivente, que também expressou solidariedade às vítimas dos terremotos de Tohoku (2011) e da Península de Noto (2024).

Transmitindo o Legado da Prevenção

Com o passar das décadas, o número de eventos memoriais tem diminuído, atingindo este ano o seu nível mais baixo desde 1999. No entanto, a determinação em educar os jovens permanece forte. O prefeito de Awaji, Atsuhiro Toda, destacou que mais da metade dos funcionários municipais atuais iniciaram suas carreiras após o desastre.

O esforço de preservação é visível no Museu de Preservação da Falha de Nojima, que está prestes a receber seu visitante de número 10 milhões. A preservação da falha geológica que rompeu a superfície serve como um lembrete físico e constante da força da natureza.

Placas de metal contêm os nomes das vítimas do Grande Terremoto de Hanshin. (Imagem via Asahi)

O Olhar para o Futuro: Nankai Trough

A urgência em preservar essas memórias não é apenas sentimental, mas estratégica. Especialistas alertam que o Japão enfrenta uma alta probabilidade de um megaterremoto na Fossa de Nankai nas próximas décadas. Um tremor de magnitude 8 ou superior naquelas proximidades poderia causar tsunamis devastadores, com estimativas de até 300.000 mortes no pior cenário.

Participantes de um evento em memória das vítimas do Grande Terremoto de Hanshin, realizado em 17 de janeiro em Awaji, na província de Hyogo, lançam pequenos barcos ao mar. (Imagem via Asahi)

Estudantes universitários e pais jovens participaram das vigílias deste ano, levando seus filhos para entender que o perigo pode surgir a qualquer momento, inclusive enquanto dormem. O termo mais importante para a comunidade de Hyogo hoje é a transmissão de conhecimento, garantindo que a tristeza do passado se transforme na segurança do amanhã.

Com informações via NHK World, Mainichi Shimbun e Asahi Shimbun
Vídeo via 神戸新聞社(kobedigital)