O xadrez político japonês: Novas alianças e a pressão dos mercados para fevereiro

Centristas se unem, conservadores ganham força e a economia reage à suspensão do imposto sobre alimentos proposta por Sanae Takaichi.

O cenário político em Tóquio sofreu uma transformação radical nesta semana, com a consolidação de novas forças que prometem sacudir a eleição no Japão marcada para o dia 8 de fevereiro. Entre fusões partidárias históricas e a volatilidade dos mercados financeiros, o governo da primeira-ministra Sanae Takaichi enfrenta o desafio de equilibrar suas promessas de expansão fiscal com a estabilidade econômica do país.

A União do Centro: Aliança Centro Reformista

Em um movimento estratégico para desafiar a hegemonia da PLD, o Partido Constitucional Democrático (CDP) e o Komeito formalizaram a criação da Aliança Centro Reformista. A nova legenda, que terá sua convenção de fundação no dia 22 de janeiro, nasce com uma força de quase 170 parlamentares na Câmara Baixa.

Yoshihiko Noda, à esquerda, presidente do Partido Democrático Constitucional do Japão, e Tetsuo Saito, principal representante do Komeito, em uma coletiva de imprensa em 16 de janeiro (Imagem via Asahi).

O comando será compartilhado igualmente entre Yoshihiko Noda (CDP) e Tetsuo Saito (Komeito), uma concessão significativa do CDP, que possui seis vezes mais membros que seu novo parceiro. Para viabilizar a união, o CDP flexibilizou posturas históricas, aceitando a constitucionalidade da legislação de segurança nacional e a reativação de usinas nucleares sob condições específicas.

“Temos dois partidos com origens diferentes fazendo campanha juntos e há muitos obstáculos para estabilizar a parceria” disse um veterano parlamentar do Komeito sobre os desafios da coalizão.

Sanseito: O Vigilante Conservador

Enquanto o centro se organiza, o partido Sanseito busca expandir sua base pressionando a PLD a cumprir as promessas mais conservadoras de Sanae Takaichi, especialmente no que diz respeito ao endurecimento das políticas de imigração. Com o slogan “Japão em Primeiro Lugar”, o Sanseito planeja lançar mais de 150 candidatos, mirando conquistar até 40 assentos.

O líder do Sanseito, Sohei Kamiya, em uma coletiva de imprensa em 25 de dezembro. (Imagem via Asahi)

Sohei Kamiya, líder do Sanseito, deixou claro que não hesitará em lançar candidatos rivais contra membros da PLD que defendam o multiculturalismo ou políticas migratórias flexíveis.

“Para que a primeira-ministra Takaichi realize suas políticas, o melhor é que o Sanseito dê um grande salto adiante” disse Sohei Kamiya.

Turbulência Econômica e o Papel do DPP

A promessa de Sanae Takaichi de suspender por dois anos o imposto de 8% sobre alimentos e reverter a política fiscal restritiva provocou tremores no mercado de títulos públicos (JGB). O temor de que o Japão aumente sua dívida para financiar essa agenda expansionista fez os rendimentos dos títulos de 10 anos dispararem.

Yuichiro Tamaki, líder do Partido Democrático para o Povo (DPP), instou o governo e o Banco do Japão a agirem decisivamente contra movimentos “anormais” do mercado. Tamaki sugeriu a recompra de títulos e até intervenções no mercado de câmbio para sustentar o iene, que desvalorizou cerca de 8% desde que Takaichi assumiu o cargo em outubro.

Yuichiro Tamaki, líder do Partido Democrático Popular, da oposição, discursa em uma coletiva de imprensa dentro do prédio da Dieta em 13 de janeiro. (Imagem via Asahi)

“O governo e o Banco do Japão devem responder decisivamente aos movimentos excessivos do mercado” disse Yuichiro Tamaki em entrevista à Reuters.

Comparativo de Intenção de Voto (Proporcional)

De acordo com pesquisa recente do jornal Asahi Shimbun (17-18 de janeiro):

PartidoIntenção de Voto (%)
PLD34%
Aliança Centro Reformista9%
Nippon Ishin / DPP10% (cada)
Sanseito7%

A campanha oficial começará no dia 27 de janeiro, e o resultado final dependerá de como os eleitores pesarão o desejo por alívio financeiro imediato contra as preocupações com a saúde fiscal de longo prazo da nação.