Primeira-ministra dissolve Parlamento e abre caminho para eleições antecipadas em fevereiro.
A política japonesa entrou em um ritmo frenético nesta sexta-feira (23). A primeira-ministra Sanae Takaichi dissolveu a Câmara Baixa logo no início da sessão da Dieta, confirmando que o país terá eleições antecipadas no dia 8 de fevereiro. O anúncio foi recebido com gritos de “Banzai!” pelos membros da PLD, enquanto a oposição reagiu com vaias e questionamentos sobre a pressa da medida.
Com apenas 16 dias entre a dissolução e a votação, este será o ciclo eleitoral mais curto da história do pós-guerra. A estratégia de Takaichi é clara: buscar um mandato renovado para suas políticas de gastos agressivos e a polêmica suspensão do imposto sobre alimentos.
A Batalha dos Impostos e a Economia
O mercado financeiro reagiu imediatamente. O rendimento dos títulos públicos atingiu picos históricos devido ao temor de que as políticas expansionistas da PLD piorem as finanças nacionais. Takaichi propõe suspender a taxa de 8% sobre alimentos por dois anos, mas a oposição contra-ataca com planos mais drásticos.
A recém-lançada Aliança Centro Reformista (CRA), fusão entre o Partido Constitucional Democrático e o Komeito, propõe o fim permanente do imposto sobre alimentos. “Nossa paixão não será superada por nenhum outro partido” disse Yoshihiko Noda, co-líder da Aliança. Para cobrir o buraco no orçamento, eles sugerem a criação de um fundo soberano que utilize as reservas do Banco do Japão.

Já o parceiro de coalizão de Takaichi, o Nippon Ishin, atua como um “acelerador”. Além de apoiar o corte de impostos, o partido de direita defende uma reforma constitucional profunda para permitir que o país exerça plenamente o direito de autodefesa coletiva.
O Fator Osaka: Um Plebiscito Paralelo
Enquanto o país decide o futuro do Parlamento, a região de Osaka viverá seu próprio drama político. O governador Hirofumi Yoshimura renunciou para disputar uma nova eleição no mesmo dia 8 de fevereiro, buscando aprovação popular para transformar Osaka em uma metrópole semelhante a Tóquio.
A manobra, porém, gerou revolta em parte da população devido ao custo de 2,8 bilhões de ienes. “Não desperdicem o dinheiro dos contribuintes nesta eleição!” gritaram manifestantes durante o primeiro discurso de Yoshimura. Mesmo entre apoiadores, há um sentimento de cansaço com a insistência no plano, que já foi rejeitado em referendos anteriores.
O Que as Urnas Devem Decidir
Abaixo, veja as principais propostas que estarão em jogo nestas eleições antecipadas:
| Partido | Proposta de Imposto (Consumo) | Foco Principal |
| PLD (Takaichi) | Suspensão de 8% em alimentos (2 anos) | Gastos agressivos e defesa |
| Aliança Centro (CRA) | Zero imposto em alimentos (Permanente) | Fundo Soberano e bem-estar |
| Nippon Ishin | Zero imposto em alimentos (2 anos) | Plano Metrópole de Osaka e Reforma Constitucional |
| DPP (Tamaki) | Redução para 5% geral | Aumento do poder de compra das famílias |
| Sanseito | Abolição total do imposto | “Japão em Primeiro Lugar” e anti-globalismo |
“A estabilidade política é essencial para enfrentar os desafios da nação” disse Shunichi Suzuki, secretário-geral da PLD, justificando a urgência do pleito. Contudo, a oposição vê a medida como uma forma de evitar debates difíceis sobre a inflação galopante e os escândalos de doações políticas.
O resultado do dia 8 de fevereiro definirá se o Japão seguirá o caminho reflacionista de Takaichi ou se abraçará a nova alternativa de centro que tenta frear a agenda conservadora do governo.
