Food Tech no Japão surge como a salvação contra a crise global do cacau e do café

Com chocolates atingindo preços recordes, o governo de Sanae Takaichi aposta em biotecnologia e IA para o futuro.

Quem passou pelos corredores de doces em Kawasaki recentemente notou algo amargo além do chocolate amargo: o preço. O que antes era um agrado acessível tornou-se um item de luxo. Segundo dados da empresa de pesquisa Intage Inc., o preço médio de uma barra de chocolate saltou de 93 ienes em 2021 para mais de 180 ienes no final de 2025. Esse cenário, impulsionado pela “crise do cacau” na África Ocidental e por anomalias climáticas, transformou a Food Tech no Japão em uma prioridade estratégica da administração do PLD.

A escassez não afeta apenas os doces. O mundo enfrenta o que especialistas chamam de “problema do café 2050” e a “crise da laranja”, causados por secas e furacões que dizimam colheitas. Diante disso, o governo japonês designou a tecnologia de alimentos como uma das 17 áreas estratégicas para o crescimento econômico nacional.

Chocolate sem Cacau: A Inovação nas Prateleiras

Uma das soluções mais surpreendentes já chegou aos supermercados. A gigante varejista Aeon lançou recentemente o “Chococa?”, um substituto de chocolate feito a partir de sementes de girassol. O produto utiliza a tecnologia “ChoViva”, desenvolvida em parceria com uma empresa alemã, que reduz drasticamente a pegada ambiental ao evitar o desmatamento de florestas tropicais.

  • Sabor e Textura: Praticamente indistinguíveis do chocolate tradicional.
  • Sustentabilidade: Menor distância de transporte e uso de matérias-primas estáveis.
  • Preço: Competitivo, variando entre 321 e 429 ienes por pacote.

“Propomos isso como uma opção completamente nova para desfrutar do sabor do chocolate no futuro. Queríamos que as pessoas experimentassem um gosto novo, avançado e futurista” disse um representante da Aeon.

Nesta foto fornecida pela Aeon Co., podemos ver o substituto de chocolate “Chococa?” da Aeon Topvalu, feito sem cacau. (Imagem: Aeon via Mainichi)

Além dos Doces: Carne de Fungos e Células

A Food Tech no Japão não para na confeitaria. Startups e universidades estão redefinindo o conceito de proteína. A Koji Labo, sediada em Tsukuba, está desenvolvendo a “carne fúngica” através do cultivo de fungos koji, os mesmos usados no saquê.

“O fato de utilizar resíduos de forma eficaz para a circulação de recursos provavelmente será apreciado pelos consumidores” disse Daisuke Hagiwara, diretor da Koji Labo.

Abaixo, comparamos as principais vertentes tecnológicas que estão ganhando corpo sob a estratégia nacional:

TecnologiaDescriçãoObjetivo Principal
Alimentos CelularesCultivo de células de carne e peixe em laboratórioCriar carne marmorizada e enguia sem abate
Proteína de FungosUso de bolor koji e subprodutos da indústria de bebidasReduzir emissões de CO2 e reciclar resíduos
Substitutos VegetaisUso de sementes de girassol e outros grãosEstabilidade de suprimento frente à crise do cacau

A Fronteira da Carne Cultivada

Pesquisadores da Universidade de Osaka e da Shimadzu Corp trabalham com a meta de comercializar carne cultivada até 2031, com o slogan “carne marmorizada feita em casa”. Outro avanço impressionante vem do Instituto de Pesquisa de Tecnologia Industrial de Tóquio, que desenvolveu células que produzem a gordura essencial para o sabor e a textura da enguia japonesa.

“Estamos atualmente no estágio em que os materiais foram reunidos. A tecnologia ainda é imatura e espera-se mais pesquisa e desenvolvimento” disse Eriko Kishino, pesquisadora adjunta do instituto.

Embora o caminho para a produção em massa ainda enfrente desafios técnicos, o impulso da Food Tech no Japão mostra que o país está determinado a transformar a crise de abastecimento em uma oportunidade de liderança global em inovação alimentar.

Com informações via Mainichi Shimbun