Com uma supermaioria recorde, Sanae Takaichi consolida seu poder e inicia uma reforma conservadora sem precedentes no país.
As eleições deste dia 8 de fevereiro de 2026 marcaram o nascimento de uma nova era no Japão. Com uma participação de 56,26% dos eleitores, um aumento significativo de 2,41 pontos em relação ao pleito anterior, o povo japonês entregou à primeira-ministra Sanae Takaichi e ao seu partido, o PLD, as chaves para uma governança sem amarras.
O PLD não apenas venceu; ele atropelou recordes. Ao conquistar 316 das 465 cadeiras, o partido obteve, sozinho, a supermaioria de dois terços. Esse resultado é tão avassalador que o partido chegou a “sobrar” votos na representação proporcional, sendo obrigado a transferir 14 cadeiras para outras legendas porque não havia candidatos remanescentes em suas listas.
O Fenômeno “Oshi”: Quando o Político vira Ídolo
Um dos segredos desta vitória foi a transformação da imagem pública de Takaichi. Muitos eleitores não votaram apenas no programa do PLD, mas na “pessoa” Takaichi. Jovens e adultos adotaram o termo Oshi, usado originalmente para descrever o apoio fervoroso a ídolos do J-Pop, para expressar sua lealdade à premiê.
“Não é que eu me interesse pela eleição. Eu sou apenas ‘Takaichi oshi'”, explicou uma profissional de 35 anos que voltou às urnas após 15 anos de hiato. Essa conexão pessoal, alimentada por uma postura firme frente a questões internacionais e uma comunicação direta, foi o motor que silenciou até mesmo os críticos internos dentro do seu partido.
O Novo Mapa do Poder e a Queda da Oposição
Enquanto Takaichi celebra, a oposição enfrenta um cenário de devastação. A Aliança de Reforma Centrista (Chudo), que nasceu para ser o contraponto conservador, viu sua base de 167 cadeiras desmoronar para apenas 49.
| Partido / Bloco | Situação Pós-Eleição | Assentos Conquistados |
| PLD | Supermaioria Histórica | 316 |
| Chudo (Oposição Centrista) | Derrota Humilhante | 49 |
| Sanseito | Crescimento Estratégico | 15 |
| Team Mirai | Estreia Promissora | 11 |
A derrota foi tão profunda que figuras icônicas da política japonesa perderam seus assentos. Como resultado, os co-líderes Yoshihiko Noda e Tetsuo Saito anunciaram que deixarão seus cargos até o dia 18 de fevereiro, abrindo espaço para uma renovação urgente em uma oposição que agora é descrita como “fragmentada e fraca”.
Mudanças Profundas: O Que Vem por Aí?
Com o controle total da Câmara Baixa, Sanae Takaichi pretende avançar com pautas que anteriormente seriam bloqueadas ou suavizadas por parceiros de coalizão. Além disso, a premiê já sinalizou que não pretende perder tempo com o que chama de “mudanças fundamentais na nação”.
Os pilares da nova agenda incluem:
- Lei Antiespionagem: Uma meta antiga dos conservadores para fortalecer a segurança nacional.
- Defesa e Inteligência: Revisão de documentos de segurança e fortalecimento da coleta de dados.
- Flexibilidade Nuclear: Discussões sobre a reconsideração dos princípios não nucleares do país diante das ameaças regionais.
- Economia Proativa: Manutenção de investimentos necessários enquanto se busca a sustentabilidade fiscal.
A Ascensão da Diversidade e da Tecnologia
Apesar da dominância do PLD, esta eleição trouxe recordes de representatividade. Um total de 313 mulheres concorreram, e 68 foram eleitas, mantendo a voz feminina em destaque no governo e na oposição.
Por outro lado, partidos emergentes como o Team Mirai mostraram que há espaço para novas ideias. Liderado pelo engenheiro de IA Takahiro Anno, o partido conquistou 11 cadeiras defendendo a digitalização e recusando a ideia de cortes no imposto de consumo, focando antes na redução dos custos de seguro social para os jovens.
A nova era no Japão sob o comando de Takaichi promete ser eficiente, mas também polarizadora. Com a sessão extraordinária da Dieta marcada para o dia 18, o país se prepara para ver a concretização de uma visão conservadora que, pela primeira vez em décadas, não precisa de pedir licença para ser executada.
