Legado da Olimpíada de Inverno Milão-Cortina acelera crescimento econômico, transforma bairros e amplia projeção internacional da capital italiana da moda e das finanças
A cidade de Milão passou a carregar oficialmente o título de cidade olímpica após sediar parte dos Jogos de Inverno Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026. O evento marca mais um capítulo na transformação iniciada há duas décadas, que remodelou o horizonte urbano, atraiu investimentos e fortaleceu o turismo e a vida cultural.
Assim como ocorreu com a Expo 2015, a Olimpíada deixa um legado físico e simbólico. Além de novas estruturas e melhorias em transporte, o evento reforçou a imagem internacional da cidade como centro global de inovação, negócios e estilo de vida.
Impacto direto e investimentos
Diferentemente de outras edições, os Jogos foram distribuídos em diferentes cidades e regiões, aproveitando estruturas já existentes para reduzir custos. Ainda assim, Milão ganhou a nova Arena Santagiulia, que recebeu partidas de hóquei no gelo e deverá sediar shows, feiras e competições esportivas.
A Vila Olímpica será transformada em moradia para cerca de 1.700 estudantes, atendendo à demanda de uma cidade que possui 10 universidades e enfrenta crise habitacional.
Dados preliminares indicam que aproximadamente 4 bilhões de euros foram investidos no evento, incluindo instalações esportivas, transporte, energia e organização. Só em Milão, os custos para sediar 90 eventos de gelo e a cerimônia de abertura no estádio San Siro chegaram a 735 milhões de euros. A expectativa é que visitantes tenham movimentado cerca de 1 bilhão de euros na economia local.
A associação empresarial Assolombarda projeta que os Jogos impulsionem o crescimento econômico de 2026 em 0,6 ponto percentual, elevando a taxa para 1,7% e estimulando a produção industrial na região.
Transformação urbana de duas décadas
A modernização de Milão começou no início dos anos 2000. Projetos como o distrito CityLife, com torres projetadas por escritórios internacionais, e o desenvolvimento de Porta Nuova mudaram a paisagem da cidade. O destaque é a Torre UniCredit, o prédio mais alto da cidade, inaugurado em 2012.
A Expo 2015 consolidou Milão como destino turístico global, atraindo 22 milhões de visitantes em seis meses. Desde então, o turismo segue em alta, alcançando 9,6 milhões de visitantes em 2025.
O antigo terreno da Expo foi transformado no MIND, polo de ciência e tecnologia que recebeu investimento de 3 bilhões de euros. Nos últimos anos, a cidade também ganhou duas novas linhas de metrô e cerca de uma dúzia de museus, como a Fondazione Prada, o MUDEC e o Pirelli HangarBicocca.
Críticas e desafios sociais
Apesar dos avanços, o crescimento acelerado trouxe críticas. Movimentos sociais afirmam que grandes eventos e empreendimentos de alto padrão elevaram os preços dos imóveis, dificultando o acesso à moradia para trabalhadores e estudantes.
Ativistas defendem políticas para ocupar imóveis públicos vazios, ampliar moradias subsidiadas e incentivar proprietários a disponibilizar cerca de 80 mil residências desocupadas.
Novo impulso no pós-Olimpíada
A Vila Olímpica acelerou a revitalização da área ferroviária de Porta Romana, no sul da cidade. O projeto prevê 100 mil metros quadrados de moradia — metade destinada à habitação social — além de parques e espaços públicos.
A região também se fortalece como polo da moda, com sedes de marcas como Bottega Veneta e Moncler, além de novos empreendimentos corporativos em construção.
Legado esportivo e cultural
O desempenho histórico da Itália, com 30 medalhas, deve estimular o interesse pelos esportes de inverno no país. Organizadores também promovem iniciativas para incentivar a prática diária de atividades físicas entre trabalhadores.
Operadores de centros de convenções anunciaram a manutenção de pistas de gelo temporárias e estudam a construção de uma arena permanente, sinalizando que o entusiasmo pelos esportes no gelo deve continuar.
Com a Olimpíada, Milão reforça sua marca internacional e consolida uma estratégia iniciada há 20 anos: usar grandes eventos como motor de desenvolvimento urbano, econômico e cultural.
