A expansão da Guerra no Oriente Médio: Brasil e Japão atentos enquanto Trump sobe o tom

Com o Irã sob ataque e o Estreito de Ormuz bloqueado, Sanae Takaichi e o PLD mobilizam diplomacia para proteger cidadãos e a economia. Mais de 8,8 mil japoneses e 70 mil brasileiros estão na “zona de guerra”

O presidente americano, Donald Trump, endureceu o discurso nesta terça-feira (03) após reuniões estratégicas na Casa Branca. Em um encontro com o chanceler alemão Friedrich Merz, o líder dos EUA afirmou que a operação militar contra o regime de Teerã é um sucesso do ponto de vista operacional, alegando que a infraestrutura iraniana foi severamente comprometida.

“Praticamente tudo foi destruído no Irã” disse Donald Trump.

O presidente justificou a agressão como a “última e melhor chance para atacar”, visando impedir que o país obtenha armas nucleares. Trump também alertou que uma “grande onda” de ataques ocorrerá em breve, estimando que o conflito ativo possa durar mais de cinco semanas.

Fumaça sobe de um armazém na zona industrial da cidade de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, após relatos de ataques iranianos em 1º de março. (Imagem via The Associated Press)

Os números da destruição são alarmantes. O Comando Central dos EUA confirmou ter atingido mais de 1.250 alvos, enquanto Israel reportou ataques a 600 locais, incluindo sistemas de defesa aérea e bases do Hezbollah no Líbano. Por outro lado, o Irã não recuou; a Guarda Revolucionária lançou mais de 700 drones e centenas de mísseis contra instalações militares americanas e israelenses na região.

O Equilíbrio Diplomático de Sanae Takaichi

No Japão, a Guerra no Oriente Médio domina os debates na Dieta. Questionada por líderes da oposição sobre a legalidade dos ataques preemptivos, a Primeira-Ministra Sanae Takaichi optou por uma postura de prudência estratégica. Frente ao Comitê de Orçamento, a líder do PLD afirmou que o governo japonês ainda não possui informações completas para emitir um veredito jurídico sobre a ação dos aliados.

“Não possuímos informações detalhadas, incluindo se esta foi uma medida de autodefesa. Nosso país se absterá de fazer uma avaliação jurídica” disse Sanae Takaichi.

A primeira-ministra Sanae Takaichi responde a perguntas durante uma sessão da Comissão de Orçamento da Câmara Baixa em 2 de março. (Imagem via Asahi)

Apesar da cautela nas palavras, a ação do governo de Sanae Takaichi nos bastidores é ágil. O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Motegi Toshimitsu, convocou os embaixadores de Israel e do Irã em Tóquio para expressar grave preocupação. O objetivo central do PLD é evitar que o Japão seja arrastado para um cenário de “ameaça à sobrevivência”, o que, segundo a legislação de segurança nacional, poderia exigir uma resposta militar coletiva.

O Drama dos Estrangeiros e o Impacto Corporativo

A segurança dos civis tornou-se a prioridade número um. Cerca de 8.900 japoneses e 70.000 brasileiros vivem na zona de conflito. Com a internet cortada no Irã, a comunicação tornou-se rudimentar. O embaixador do Brasil em Teerã, André Veras Guimarães, precisou utilizar comunicação via satélite para alertar sobre os riscos de sair às ruas.

“É bom não sair às ruas. O risco é muito grande. É ficar em casa porque é a única proteção que se tem agora” disse André Veras Guimarães.

No setor corporativo, empresas japonesas de energia e engenharia estão em estado de alerta máximo:

  • JERA Co.: Ordenou que todos os seus 58 funcionários deixem países como Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita imediatamente.
  • Mitsubishi Motors: Confirmou a segurança de seus trabalhadores, mas mantém planos de evacuação prontos.
  • Inpex Corp: Instruiu 160 funcionários em Abu Dhabi a permanecerem confinados em suas residências devido ao risco de retaliações iranianas contra bases aliadas em solo árabe.

Riscos Econômicos e o Estreito de Ormuz

O fechamento efetivo do Estreito de Ormuz pelo Irã colocou o mercado de energia em pânico. Sendo a principal rota de escoamento do petróleo para o Japão e o mundo, qualquer bloqueio prolongado pode ser catastrófico. Celso Amorim, assessor especial da presidência do Brasil, reforçou a necessidade de diálogo para evitar um colapso econômico global.

“Se houver o fechamento do Estreito de Ormuz, o comércio de petróleo, o preço do petróleo vai para lua” disse Celso Amorim.

Localização do Estreito de Ormuz, importante passagem para navios de petróleo. (Imagem: Arquivo)

Enquanto a Guerra no Oriente Médio avança, o Irã tenta se reorganizar após a morte do líder supremo Ali Khamenei. Um conselho interino busca nomes para a sucessão, mas a pressão externa e os constantes bombardeios dificultam a estabilização de um novo comando em Teerã. O próximo passo da administração de Sanae Takaichi será uma rodada de conversas telefônicas com líderes de Omã e outros países costeiros para tentar reabrir canais de paz.