Hisashi Hieda se retira da liderança da Fuji TV em meio a reformas corporativas

Após 41 anos no conselho, Hisashi Hieda deixa cargos de liderança na Fuji TV e Fuji Media Holdings, marcando uma nova fase na governança do grupo.

A Fuji TV e sua controladora anunciaram a saída de Hisashi Hieda, figura de influência no grupo há décadas. A decisão faz parte de um amplo processo de reestruturação corporativa, que inclui a redução no número de diretores, o aumento da participação feminina na gestão e uma renovação geracional na liderança.

Fim de uma era: Hisashi Hieda deixa a direção

Aos 87 anos, Hisashi Hieda se despede de seus cargos como conselheiro da Fuji TV e da Fuji Media Holdings, encerrando um ciclo de 41 anos no conselho da empresa. Desde que ingressou na Fuji TV em 1961, ele se tornou um dos grandes arquitetos da chamada “Era de Ouro” da emissora nos anos 80 e 90. Sob sua gestão, o canal se destacou com programas de entretenimento e dramas que marcaram época.

Mesmo sem poder executivo desde 2017, quando se tornou conselheiro sem direito a voto, Hieda ainda era visto como uma figura influente dentro do grupo Fuji Sankei, conglomerado que engloba empresas de mídia e entretenimento. Sua saída ocorre em um momento crítico, com a Fuji TV buscando restaurar sua imagem após uma série de crises e a perda de confiança de anunciantes.

Reformas estruturais

A Fuji Media Holdings e a Fuji TV estão promovendo uma grande reestruturação administrativa. Em junho deste ano, a holding reduzirá o número de diretores de 15 para 11, enquanto a Fuji TV passará de 20 para apenas 10 diretores. Além da redução na diretoria, metade dos novos membros será formada por profissionais de fora da empresa, com o objetivo de aumentar a transparência e a imparcialidade nas decisões.

Outra grande mudança é a inclusão de mais mulheres na liderança. A Fuji Media Holdings terá quatro diretoras em um conselho de 11 membros, enquanto a Fuji TV contará com três mulheres entre os 10 diretores. A renovação geracional também é um fator importante: a idade média da diretoria da holding cairá de 71,2 para 61,6 anos, enquanto na Fuji TV a redução será de 67,3 para 59,5 anos.

Crise e pressão de anunciantes

A reestruturação acontece em meio a uma grave crise de imagem para a Fuji TV. No início de 2024, a emissora foi alvo de críticas após um escândalo envolvendo um de seus apresentadores, gerando insatisfação entre anunciantes. Como resultado, cerca de 70% dos patrocinadores suspenderam temporariamente seus contratos, o que levou a uma queda de aproximadamente 90% na receita publicitária de fevereiro em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Diante desse cenário, a Fuji Media Holdings revisou para baixo suas projeções financeiras para o ano fiscal de 2024. A expectativa agora é de uma queda de 3,2% na receita total do grupo, atingindo 5,48 trilhões de ienes, enquanto o lucro líquido pode despencar 73,6%, chegando a apenas 9,8 bilhões de ienes.

Processo judicial contra a diretoria

Além das dificuldades financeiras, a Fuji Media Holdings enfrenta uma ação judicial movida por acionistas. Um grupo de investidores entrou com um processo contra 15 membros da diretoria, incluindo o ex-presidente Kōichi Minato e Hisashi Hieda, alegando que a má gestão do escândalo resultou em perdas significativas para a empresa. O valor da indenização solicitada ultrapassa 230 bilhões de ienes.

A Fuji Media Holdings declarou que ainda não recebeu a notificação oficial do processo e, portanto, não pode comentar sobre o caso.

Próximos passos para a Fuji TV

Com a saída de Hieda e as mudanças no comando, a Fuji TV e sua controladora tentam recuperar a confiança do mercado e do público. A reestruturação administrativa, a inclusão de novas lideranças e as medidas para melhorar a transparência e a governança corporativa são vistas como os primeiros passos para restaurar a credibilidade do grupo.

Especialistas do setor, no entanto, alertam que a renovação da diretoria não pode ser apenas uma mudança superficial. “O verdadeiro teste será se a nova liderança conseguirá implementar reformas estruturais profundas e evitar os erros do passado”, afirmou Takahiko Kageyama, professor de mídia da Universidade Feminina de Doshisha.

A Fuji TV agora se encontra em um ponto de virada. A maneira como lidará com a crise e implementará suas reformas determinará o futuro da emissora e sua posição no competitivo mercado de mídia japonês.