Ueda diz que Banco do Japão seguirá elevando juros apesar de tensão no Oriente Médio

Presidente da autoridade monetária afirma que alta do petróleo pode afetar economia japonesa e será monitorada de perto

O presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, afirmou nesta quarta-feira que a instituição continuará elevando a taxa básica de juros, a menos que ocorram mudanças inesperadas nos preços ou na atividade econômica.

Durante sessão de um comitê da Dieta, o Parlamento japonês, Ueda disse que acompanha de perto os impactos do conflito no Oriente Médio e da alta dos preços do petróleo sobre a economia do país.

Segundo ele, os desdobramentos na região podem ter “impacto significativo” no Japão, principalmente por causa da alta do petróleo e seus reflexos nos mercados financeiros.

O presidente do Banco do Japão destacou que o país depende fortemente da importação de recursos naturais. Por isso, a elevação dos preços da energia pode prejudicar o abastecimento, afetar o crescimento econômico e até pressionar a inflação.

Ueda explicou que o aumento dos custos de energia pode levar famílias e empresas a esperar uma inflação mais alta no médio e longo prazo, o que também influencia os preços no país.

Os recentes ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciados no fim de semana, e a ampliação do conflito para outros países do Oriente Médio provocaram alta no preço do petróleo e queda nas bolsas japonesas. Esse cenário reforçou a avaliação de que o Banco do Japão pode precisar reavaliar o momento da próxima alta de juros.

Em dezembro, o banco central elevou sua taxa básica para cerca de 0,75%, o nível mais alto em 30 anos. No mês seguinte, decidiu manter a taxa inalterada, com Ueda afirmando que era necessário avaliar os efeitos do aumento anterior antes de novas decisões.