Gasolina atinge 190,8 ienes por litro enquanto o Japão negocia importação de óleo dos EUA para reduzir dependência do Oriente Médio.
A economia japonesa enfrenta um momento crítico com a disparada dos custos de energia. Nesta semana, o preço médio da gasolina no Japão atingiu o recorde histórico de 190,8 ienes por litro, superando marcas anteriores e pressionando o orçamento das famílias e empresas. Diante da instabilidade no Oriente Médio, o Governo Japonês prepara uma ofensiva diplomática e econômica para garantir o abastecimento e frear a inflação.
Subsídios para Conter a Gasolina a 200 Ienes
O salto de 29 ienes no combustível em apenas uma semana é reflexo direto dos conflitos envolvendo o Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz. Para evitar que o valor nas bombas ultrapasse a barreira psicológica dos 200 ienes, o governo japonês anunciou a implementação de um subsídio de 30,2 ienes por litro, que entra em vigor a partir de 19 de março.
Especialistas preveem que o preço final ao consumidor leve até duas semanas para recuar para a casa dos 170 ienes, uma vez que os postos precisam escoar o estoque adquirido pelos valores mais altos.
Aposta no Alasca para Reduzir a Dependência Externa
Atualmente, cerca de 90% das importações de óleo bruto do Japão vêm do Oriente Médio. Para quebrar essa vulnerabilidade, Tóquio e Washington devem anunciar, durante a cúpula deste dia 19 de março, um plano estratégico de investimento na produção de petróleo no Alasca.
O projeto faz parte de um acordo de tarifas e investimentos de 550 bilhões de dólares. Além de impulsionar a extração, o Japão planeja investir em infraestrutura de carregamento de óleo nos Estados Unidos para facilitar a exportação direta para o arquipélago.
Principais Pontos do Novo Acordo Energético:
- Investimento no Alasca: Aumento da produção e criação de estoques estratégicos em solo americano.
- Infraestrutura: Construção de instalações de carregamento para facilitar o transporte marítimo.
- Próxima Geração: Discussões sobre o desenvolvimento conjunto de reatores nucleares avançados.
Diplomacia em Meio à Pressão de Washington
A viagem da Primeira-Ministra Sanae Takaichi a Washington ocorre sob forte pressão de Donald Trump, que tem cobrado que países dependentes do petróleo de Ormuz ajudem a patrulhar a região. Embora o governo dos EUA tenha mudado o tom recentemente em redes sociais, o Governo Japonês mantém uma postura cautelosa.
“Pretendo transmitir firmemente que simplesmente não podemos fazer o que não podemos fazer” afirmou a liderança japonesa sobre a possibilidade de envio das Forças de Autodefesa para zonas de combate ativo. A estratégia de Tóquio foca em uma resolução diplomática e na rápida diversificação de fontes, priorizando o petróleo do Alasca para garantir que a economia japonesa não fique refém da volatilidade do Golfo Pérsico.
Com a previsão de uma queda drástica na chegada de petroleiros vindos do Oriente Médio a partir de 20 de março, o sucesso das negociações nos Estados Unidos é visto como vital para a segurança energética do país a longo prazo.
