Crescimento do turismo impulsiona público, enquanto espaço prepara exposição sobre jovem vítima da bomba atômica
O Museu Memorial da Paz de Hiroshima registrou um recorde de público no ano de 2025, com cerca de 2,58 milhões de visitantes, segundo dados preliminares divulgados pela Hiroshima Peace Culture Foundation. O número representa um aumento de 14% em relação ao ano anterior e marca o terceiro ano consecutivo de crescimento.
O aumento é atribuído principalmente à alta no número de turistas estrangeiros, favorecida pela desvalorização do iene, além do maior interesse global em temas ligados à guerra, especialmente diante de conflitos recentes no Oriente Médio.
No entanto, o crescimento também trouxe desafios. Visitantes, especialmente estudantes em excursões escolares, relataram dificuldades devido à superlotação. Em pesquisas recentes, alguns disseram que não conseguiram ver as exposições com calma ou tiveram que se preocupar em não se perder no meio da multidão.
Para lidar com o problema, o museu anunciou planos de criar uma nova área de exposição voltada para crianças até o ano de 2028. O espaço será instalado no prédio leste e terá como objetivo facilitar o aprendizado de estudantes e reduzir a concentração de público na área principal.
A nova exposição terá como foco a história de Yoko Moriwaki, que morreu aos 13 anos após o bombardeio de bombardeio atômico de Hiroshima, ocorrido em 6 de agosto de 1945. Ela estava a cerca de 700 metros do epicentro no momento da explosão e faleceu na mesma noite.
Entre os itens que serão exibidos estão o diário da jovem, materiais escolares, seu uniforme danificado, além de objetos pessoais como uma marmita. A exposição também incluirá depoimentos em vídeo de seu irmão, sobrevivente da bomba, que compartilhou suas memórias até sua morte em 2023.
O novo espaço será dividido em três partes: “Antes da bomba”, “Imediatamente após” e “Pós-guerra”. A primeira mostrará o cotidiano das crianças antes do ataque, incluindo escola e atividades diárias. A segunda trará imagens e objetos que retratam a destruição causada pela explosão. Já a terceira abordará a vida dos sobreviventes e seus esforços pela paz.
Outra novidade será a criação de uma área opcional, onde os visitantes poderão escolher se desejam ver conteúdos mais fortes sobre o período logo após o bombardeio.
De acordo com representantes do museu, a proposta é oferecer uma experiência mais educativa e organizada, especialmente para estudantes, ao mesmo tempo em que se reduz a superlotação. O planejamento do projeto continuará ao longo de 2026.
