Preços dos alimentos no Japão sobem em julho e afetam mais de 2.500 itens

Uma pesquisa revela que os preços dos alimentos terão novos aumentos a partir de julho, impulsionados por custos de logística e insumos.

O bolso do consumidor no Japão sentirá um novo impacto com o reajuste expressivo em milhares de produtos nas gôndolas dos supermercados. Uma pesquisa recente revelou que os preços dos alimentos vão subir para um total de 2.566 itens a partir do mês de julho. Este movimento marca a primeira vez em três meses, desde o período de abril, que o volume de produtos afetados por reajustes em um único mês ultrapassa a barreira dos 2.000 itens.

A análise foi coordenada por uma renomada empresa de pesquisa privada e consultou 195 dos principais fabricantes nacionais do setor. Segundo os especialistas responsáveis pelo mapeamento, essa tendência de repasse contínuo de custos para o consumidor final não deve ceder tão cedo, mostrando fôlego para persistir ao menos até o outono.

Categorias mais afetadas e projeção anual

O avanço nos preços dos alimentos faz parte de um ciclo inflacionário mais amplo e severo que se estende ao longo de todo o ano. Os planos das indústrias indicam que o número de itens com aumento acumulado entre janeiro e novembro deve atingir a marca de quase 14.902 produtos (ou cerca de 15 mil itens). Esse cenário consolida o quinto ano consecutivo, desde o início de 2022, em que o total de modificações nas tabelas ultrapassa a expressiva marca de 10.000 itens anuais.

Ao detalhar o impacto por setores produtivos, as principais categorias afetadas são:

  • Os alimentos processados, incluindo opções congeladas e arroz embalado, lideram a lista com 5.780 itens reajustados, correspondendo a cerca de um terço do total geral.
  • Os temperos e condimentos diversos, tais como caldos concentrados, molhos prontos e o tradicional shoyu, somam 3.467 itens com valores elevados.

Fatores macroeconômicos e geopolíticos por trás da alta

Quando questionadas sobre as justificativas centrais para aplicar essas correções nos preços dos alimentos, as indústrias apontaram múltiplos fatores correlacionados. A queixa mais frequente diz respeito à severa alta nos custos de matérias-primas e ingredientes essenciais, motivo citado por 92,5% das empresas participantes. Logo em seguida, aparecem as despesas com a cadeia de logística e transporte, apontadas por 71,9% dos entrevistados, além dos custos de fabricação de embalagens e materiais gráficos, que penalizam 69,8% das marcas.

Outro elemento que passou a pressionar diretamente os custos das empresas foi a instabilidade geopolítica no Oriente Médio. Esse fator passou a ser monitorado estatisticamente na pesquisa e foi apontado por 24,7% dos fabricantes como um dos motivos cruciais para o repasse de despesas aos consumidores.

Adicionalmente, fatores como o encarecimento da energia e de insumos específicos de empacotamento, a exemplo de filmes plásticos e tintas, exercem forte pressão sobre a indústria. Esse quadro é agravado significativamente pela acentuada desvalorização cambial do iene, que eleva o custo de todas as mercadorias importadas pelo país e sustenta uma verdadeira corrida de reajustes generalizados.

Perspectivas para o segundo semestre

O cenário de inflação nos preços dos alimentos tende a ganhar ainda mais tração nos próximos meses. As projeções estatísticas indicam que o mês de setembro deve registrar o maior pico de reajustes de todo o ano, com a expectativa de superar a marca de 3.000 itens encarecidos de uma só vez. Diante de tantas variáveis de custo acumuladas, a Teikoku Databank aponta que a estabilização dos valores nas prateleiras ainda está distante de acontecer.

Com informações via NHK World