Homem sobrevive a ataque de urso no Japão após usar spray de defesa

Vítima foi mordida e arrastada pelo animal durante coleta de vegetais silvestres, mas conseguiu escapar após atingir o urso com spray repelente

Um homem de 39 anos sobreviveu a um ataque de urso na cidade de Tsuruoka, em Yamagata, no Japão, após conseguir usar um spray de defesa contra o animal. O caso reforçou o alerta das autoridades sobre o aumento dos ataques de ursos no país, principalmente durante a temporada de coleta de vegetais silvestres nas montanhas.

A vítima trabalha de forma autônoma e também comercializa vegetais encontrados na natureza. Há cerca de cinco anos, ele frequenta uma área próxima ao Monte Yudono para colher brotos de bambu conhecidos como “gassan dake”, considerados uma iguaria local.

Segundo o homem, era comum encontrar sinais da presença de ursos na região, como fezes e marcas de alimentação. Por isso, ele costumava entrar na mata usando capacete, carregando um rádio portátil em alto volume para fazer barulho e levando um spray específico para afastar ursos.

O ataque aconteceu na manhã de 15 de junho, por volta das 5h30. Enquanto caminhava por uma área de vegetação densa, onde a visibilidade era bastante limitada, ele foi surpreendido por um urso adulto que apareceu a cerca de um metro de distância.

Ao tentar afastar o animal, o homem acertou o nariz do urso, considerado uma região sensível. Em seguida, o urso atacou violentamente, mordendo seu braço esquerdo e sacudindo a vítima enquanto mantinha os dentes cravados no membro.

Mesmo tentando se defender com socos, o homem continuou sendo atacado. Em determinado momento, o urso passou a morder sua mochila e o arrastou pelo chão. Segundo a vítima, naquele instante acreditou que não sobreviveria.

Quando o animal soltou a mochila por alguns segundos, ele conseguiu abri-la, retirar o spray repelente, destravar o dispositivo e direcionar o jato diretamente para o rosto do urso.

Após ser atingido, o animal começou a rugir e se debater antes de fugir para o meio da vegetação.

Ferido, o homem desceu a montanha sozinho durante cerca de duas horas, conseguiu chegar ao carro e dirigiu até um hospital da cidade.

Os médicos constataram que uma das mordidas atingiu o osso do braço esquerdo. Além disso, ele apresentava diversos cortes profundos provocados pelas garras do urso nas costas, pernas e outras partes do corpo. A vítima passou por uma cirurgia de emergência e permaneceu internada por aproximadamente duas semanas.

O spray utilizado havia sido comprado pela internet por cerca de 10 mil ienes, equivalente a aproximadamente 62 dólares. O homem contou que anteriormente carregava o equipamento preso à cintura, mas perdeu um aparelho após ele ficar preso na vegetação. Desde então, passou a guardá-lo dentro da mochila.

Apesar de nunca ter treinado o uso do equipamento, conseguiu acioná-lo rapidamente durante o ataque. Mesmo assim, acredita que teria reagido mais depressa se o spray estivesse preso ao peito ou em outro local de fácil acesso.

Especialistas alertam, porém, que o spray não garante proteção total. Segundo caçadores e comerciantes especializados de Yamagata, alguns produtos mais baratos podem ter alcance e duração inferiores aos informados pelos fabricantes.

Até mesmo modelos certificados possuem alcance de aproximadamente 12 metros em condições sem vento e liberam o produto por apenas sete ou oito segundos.

Os especialistas explicam que, quando utilizado corretamente, o spray pode fazer o urso recuar temporariamente, criando uma oportunidade para a pessoa escapar. No entanto, alguns animais continuam avançando mesmo após serem atingidos, e ventos desfavoráveis podem fazer o produto retornar contra quem o utiliza.

Por isso, a recomendação é manter o spray sempre em um local de acesso rápido e treinar previamente como retirar o dispositivo de segurança para conseguir agir com rapidez em uma situação de emergência.

Os ataques de ursos seguem preocupando autoridades japonesas, especialmente na região nordeste do país, onde moradores e trabalhadores costumam entrar nas montanhas durante a temporada de coleta de alimentos silvestres. Especialistas afirmam que equipamentos de proteção e medidas preventivas podem ser decisivos para aumentar as chances de sobrevivência em encontros com esses animais.