
Por: Matheus Braga (J.League Insider)
Conforme combinado com os seguidores da J-League Insider no X, acompanhamos o duelo entre Urawa Red Diamonds e Shimizu S-Pulse para trazer uma análise da partida e daqueles que a jogaram.
O Urawa vinha de dois empates consecutivos, em ambos os problemas defensivos eram evidentes. Não adiantavam as boas atuações do brasileiro Danilo Boza, quase sempre havia um problema defensivo nessa equipe.
Na partida contra o Cerezo Osaka, na última sexta (29), consegui chegar ao primeiro passo desses problemas: a presença de Takahiro Sekine na lateral-direita. O camisa 14 por lá já atuava desde a última passagem de Skorza, mas existe um diferencial neste quesito, necessidade.
Na passagem anterior, Skorza tinha Hiroki Sakai como lateral direito titular absoluto, com Sekine fazendo a função em momentos específicos dos jogos e da temporada, como no Mundial de Clubes por exemplo. Sakai é um dos melhores laterais já formados pelo Japão, um jogador muito completo, mas Sekine não é nem lateral de origem.
Como falamos, o camisa 14 “quebrava um galho” na posição de Sakai quando o camisa 2 não estava disponível, seja por cansaço ou por lesão, mas é fato que Sekine dava mais opções ofensivas à equipe de Saitama. Contra o León, no Mundial, por exemplo, Sekine atuou pela lateral fazendo uma grande dobradinha ofensiva com Tomoaki Okubo.
Ganha uma opção ofensiva, mas o sistema defensivo precisou se adaptar. Ken Iwao e Atsuki Ito precisavam se revezar na função de ‘terceiro zagueiro’, além de dar a oportunidade de Sekine se apresentar ao ataque, esse terceiro homem deu mais liberdade para Alex Scholz ser mais criativo e ficar na linha de meio de campo.
O gol de Alex Schalk contra os mexicanos saiu assim, com Scholz atuando como “lateral”, enquanto Sekine e Okubo puxaram a marcação. Schalk e Kanté se aproveitaram da confusão na marcação pra botar os Reds na semifinal.
Agora, com Danilo Boza na zaga e com Kaito Yasui e Samuel Gustafson no meio, fica mais complicado ter um lateral tão ofensivo. O gol do Cerezo confirmou isso, com Thiago Andrade passando nas costas de Sekine e obrigando Boza a fazer a cobertura, desorganizando o Urawa defensivamente.
Ofensivamente o time também não entregou tanto. Matheus Sávio foi deslocado para a meia esquerda, para que Taishi Matsumoto, um 2º volante de origem, fizesse a função de “10” dessa equipe. Matsumoto é bom de bola, mas não é um meia como Sávio ou como Nakajima, por exemplo.
O Urawa passou a ter dificuldade e, finalmente, Skorza se mexeu para a partida contra o S-Pulse. O polonês entrou com Ishihara, um lateral de ofício, e com Ryoma Watanabe como 2º volante.
Isso permitiu com que as dobras na ponta direita continuassem ocorrendo, mas com a consistência defensiva ainda quase intacta. Ishihara não subia para o ataque e Watanabe conseguia aparecer como elemento surpresa. Com isso, o repertório defensivo dos Reds estava ampliado, o lado direito, antes fraco e aberto, agora parecia uma fortaleza… E Ishihara potencializou ainda mais Danilo Boza.
O camisa 3 estava sempre presente para tomar a bola dos adversários que, porventura, passassem pelo camisa 4. Ishihara e Boza foram simplesmente fenomenais hoje. Tanto que o gol sofrido nem culpa deles foi!
Mas existe outro fator para essa vitória dos Reds em Saitama, Matheus Sávio. Contratado a peso de ouro do Kashiwa Reysol, o brasileiro formado pelo Flamengo estava sem marcar ou participar de um gol pelo Tricolor.
Preso na esquerda, com sua função quase nula, Sávio raramente participava do jogo. Precisava de uma ou outra jogada mais individual. Mas não desta vez! No jogo de mais cedo, Sávio estava livre para flutuar pelo campo e foi fazendo isso que deu o passe para o primeiro gol. O camisa 8 saiu da esquerda para a direita e contou com a participação ofensiva de Ryoma Watanabe para abrir o placar.
No segundo tempo, deixou sua marca, seu primeiro gol na nova casa, mais uma vez flutuando, aparecendo por de trás da defesa do Shimizu. O ataque do Urawa foi muito móvel, com Sávio, Matsuo e Matsumoto se movimentando e confundindo a marcação do time de Shizuoka.
Talvez o resultado de hoje seja um alerta para Maciej Skorza que dá sim pra jogar bem, quando ele abdica das convicções que deram errado! Insistir no erro, é burrice!