O falecimento de Hiroshi Okuda, ex-presidente da Toyota Motor, foi confirmado aos 93 anos. Ele revolucionou a empresa e lançou o Prius.
A indústria automotiva mundial e o Japão estão de luto. O falecimento de Hiroshi Okuda, ex-presidente da gigante Toyota Motor, foi confirmado neste sábado, aos 93 anos, por causas naturais. Natural da cidade de Tsu, na província de Mie, ele deixou um legado indelével ao modernizar a empresa, transformando-a em uma potência global e redefinindo os padrões da mobilidade sustentável.
Uma liderança fora do comum
Okuda ingressou na Toyota Motor Sales em 1955, construindo sua carreira de baixo para cima. Em 1995, ele assumiu a presidência da empresa, tornando-se o primeiro líder de fora da família fundadora Toyoda em 28 anos, após a renúncia de seu predecessor por motivos de saúde.
Ele recebeu uma companhia que, segundo sua própria avaliação, estava paralisada pela “doença de grande corporação”, com queda na participação de mercado doméstico e atrasos na expansão internacional. Com um estilo de comunicação direto e decisões rápidas, ele declarou que a pior coisa a se fazer era não mudar nada. Sob sua gestão firme, a empresa lançou o canal de vendas “Netz”, voltado ao público jovem, e fortaleceu significativamente a marca de luxo Lexus.
A revolução do Prius e a expansão global
Entre suas conquistas mais celebradas está a aceleração do lançamento do primeiro veículo híbrido produzido em massa do mundo. Embora os engenheiros já tivessem movido o lançamento do Prius para o final de 1998, Okuda exigiu que o carro estivesse pronto até o final de 1997. Ele estava determinado a estabelecer o meio ambiente como a palavra-chave da próxima era automotiva.

O Prius estreou com o slogan “Na hora certa para o século 21” e se tornou a pedra angular do mercado de carros ecológicos. Essa tecnologia híbrida permanece como uma fonte chave da força da Toyota hoje, lançando as bases para que a montadora alcançasse a marca de 10 milhões de veículos vendidos anualmente. Paralelamente, ele impulsionou uma estratégia agressiva de expansão, estabelecendo novas fábricas nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia.
Influência além dos negócios
A influência de Okuda se estendeu muito além dos muros da Toyota. Em 2002, ele se tornou o primeiro presidente da unificada Federação dos Negócios do Japão (Keidanren), o lobby empresarial mais poderoso do país, após a fusão com a antiga Nikkeiren. A partir desse cargo, ele foi um defensor franco, criticando empresas que recorriam a demissões fáceis de funcionários apenas para melhorar o desempenho financeiro.
“Um líder empresarial excepcional que sempre olhou para o futuro e conduziu os negócios com uma visão clara dos desafios pela frente”, disse Yoshinobu Tsutsui, atual presidente do Keidanren, ao prestar homenagens.
Alavancando fortes laços políticos, ele atuou como membro do setor privado no Conselho de Política Econômica e Financeira do governo. Lá, ele esteve profundamente envolvido na formulação de políticas ao lado de líderes como o então primeiro-ministro Junichiro Koizumi, ajudando a moldar a agenda de “reforma estrutural sem santuários”. Mais tarde, em 2012, assumiu o cargo de governador do Banco do Japão para Cooperação Internacional, apoiando a expansão global das empresas japonesas.
Homenagens e despedida
A Toyota Motor confirmou que o funeral será privado e limitado aos membros da família, a pedido dos mesmos. Planos para um serviço memorial ou outro evento de despedida pública ainda não foram definidos.
Okuda encerrou formalmente sua associação com a montadora em 2018, após deixar o cargo de consultor sênior, consolidando seu legado como um reformador pivotal na economia do Japão no período pós-bolha. Sua visão e coragem para inovar continuam a guiar os rumos da maior montadora do mundo.
Com informações de: Agência Kyodo e The Japan Times.
