Ataques cibernéticos: Japão anuncia medidas emergenciais

O governo do Japão anunciou, nesta sexta-feira (6), um pacote de medidas emergenciais contra uma série de vazamentos de dados pessoais. Esses casos ocorreram após invasões de sistemas sem autorização e, consequentemente, aumentaram a preocupação da população com a segurança digital. Para enfrentar o problema, o governo prevê utilizar inteligência artificial (IA) para identificar falhas em sistemas e criar equipes de especialistas em segurança cibernética.

A primeira-ministra Sanae Takaichi apresentou as medidas durante uma reunião com ministros responsáveis pela área. Na ocasião, ela pediu que o governo mobilize todos os recursos disponíveis para fortalecer a capacidade de resposta do país. Além disso, orientou o ministro das Finanças e outros integrantes do gabinete a avaliar os investimentos necessários para executar as ações. Dessa maneira, o governo pretende garantir os recursos para colocar o pacote em prática.

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O pacote estabelece quatro prioridades: reforçar as medidas básicas de segurança com inteligência artificial, melhorar a coleta e a análise de informações, desenvolver estratégias de resposta aos ataques e ampliar o apoio às vítimas. Além dessas ações, Takaichi pediu ao ministro responsável pela segurança cibernética, Toshiharu Furukawa, que avalie mudanças na legislação que amplia os poderes do governo para combater invasões digitais. Com isso, o país também pretende atualizar os instrumentos legais de combate aos ataques.

Equipes especializadas vão atuar na prevenção e resposta

Entre as iniciativas, o governo criará uma equipe de especialistas em segurança cibernética, chamada de top gun. O grupo terá a missão de combater hackers e identificar falhas em sistemas com o auxílio da inteligência artificial. Além disso, as autoridades pretendem trabalhar com empresas estrangeiras de tecnologia e desenvolvedores avançados de IA. Assim, o governo busca manter atualizadas as informações sobre vulnerabilidades digitais.

Outra iniciativa prevê a criação de uma equipe de resgate, formada por especialistas dos setores público e privado. Nesse caso, o grupo atenderá empresas atingidas por ataques e ajudará nas primeiras providências. Ao mesmo tempo, uma segunda equipe oferecerá orientações preventivas às companhias que apresentem riscos de sofrer invasões. Dessa forma, as autoridades pretendem atuar tanto na resposta quanto na prevenção dos crimes digitais.

O governo também pretende ampliar as ações de defesa cibernética ativa. Essa estratégia permite acessar antecipadamente servidores utilizados por criminosos digitais para neutralizar ameaças. Para isso, as autoridades contam com uma legislação que entrou em vigor em outubro. Além disso, em incidentes com potencial de afetar gravemente a segurança nacional, o governo poderá enviar uma equipe com representantes do Escritório Nacional de Segurança Cibernética, da Agência Nacional de Polícia e do Ministério da Defesa, entre outros órgãos.

Governo prevê bloqueio de servidores e novos investimentos

Para impedir novos prejuízos, o governo estuda autorizar as operadoras de telecomunicações a bloquear compulsoriamente o acesso a determinados sites e servidores relacionados aos ataques. Com essa medida, as autoridades pretendem limitar a continuidade das invasões e, consequentemente, evitar novos danos.

A elaboração do pacote ocorreu após uma série de vazamentos de dados pessoais provocados por ataques cibernéticos de grande repercussão. Entre os casos está a invasão contra a provedora de internet GMO Internet Group, que recebeu uma exigência de pagamento de resgate. Diante dessas ocorrências, Takaichi determinou, na semana anterior, que os ministros preparassem as medidas emergenciais.

Além disso, antes mesmo do anúncio, o governo decidiu liberar ¥ 10 bilhões do fundo de reserva do orçamento do ano fiscal de 2026 para reforçar a segurança cibernética. Parte dos recursos financiará a modernização dos equipamentos policiais utilizados na coleta e análise de informações. Por fim, com o pacote, o Japão pretende fortalecer a cooperação entre os setores público e privado e ampliar o atendimento às organizações atingidas por ataques digitais.

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