Fuji TV processa ex-executivos por má gestão de escândalo de abuso sexual envolvendo Masahiro Nakai

Emissora japonesa exige ¥5 bilhões em indenização após relatório confirmar falhas graves na condução do caso por parte da antiga liderança.

Koichi Minato, ex-presidente da Fuji TV em 27 de janeiro no bairro de Minato, em Tóquio (Imagem: Asahi Shimbun)

A emissora japonesa Fuji Television Network Inc. anunciou em 28 de agosto que entrou com uma ação judicial contra dois ex-executivos por má condução de um escândalo de abuso sexual envolvendo o ex-apresentador Masahiro Nakai, figura conhecida da televisão japonesa.

O processo, movido no Tribunal Distrital de Tóquio, exige uma indenização de ¥5 bilhões (cerca de US$ 34 milhões) de Koichi Minato, ex-presidente da emissora, e Toru Ota, ex-diretor de programação.

Segundo a Fuji TV, os dois ex-executivos causaram prejuízos estimados em ¥45,3 bilhões ao não tomarem medidas adequadas após o surgimento das denúncias em junho de 2023. Um comitê independente reconheceu oficialmente que a ex-apresentadora da emissora foi vítima de abuso sexual por Nakai em contexto profissional.

O relatório aponta que Minato e Ota foram informados do caso em agosto de 2023, mas desconsideraram a denúncia, tratando-a como uma “questão privada entre um homem e uma mulher”. Além disso, ignoraram alertas de médicos da empresa e especialistas externos, permitindo que Nakai continuasse aparecendo em programas da emissora.

Toru Ota, ex-presidente da Kansai Television Co., em Osaka em 22 de janeiro (Imagem via Asahi Shimbun)

A Fuji TV já havia sinalizado em junho sua intenção de processar os dois ex-executivos. O caso gerou forte repercussão na mídia japonesa, com críticas à falta de transparência e responsabilidade corporativa da emissora.

A crise também levou à saída de grandes anunciantes, como Toyota, Nintendo e Kirin, e à realização de uma coletiva de imprensa de mais de 10 horas, considerada uma das mais longas da história da mídia japonesa.

Com informações via Asahi Shimbun