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Shigeru Ishiba se despede da ONU com apelo por reformas, paz e reconhecimento da Palestina

Em discurso final como primeiro-ministro do Japão, Ishiba condena guerra na Ucrânia, ofensiva em Gaza e pede reforma urgente do Conselho de Segurança; Assembleia Geral da ONU tem início marcado por embates e estreias históricas.
Luiz Gustavo Pinheiro 24/09/2025

Em discurso final como primeiro-ministro do Japão, Ishiba condena guerra na Ucrânia, ofensiva em Gaza e pede reforma urgente do Conselho de Segurança; Assembleia Geral da ONU tem início marcado por embates e estreias históricas.

O primeiro-ministro japonês Shigeru Ishiba fez nesta terça-feira (23) seu discurso de despedida na 80ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, destacando a urgência de reformas no Conselho de Segurança, a defesa da democracia inclusiva e o apoio à solução de dois Estados para o conflito entre Israel e Palestina.

Ishiba condenou a invasão da Ucrânia pela Rússia, país com assento permanente no Conselho de Segurança, e afirmou que o órgão está falhando em sua missão de manter a paz, pedindo a expansão de membros permanentes e não permanentes sem comprometer sua eficácia.

Sobre o conflito em Gaza, Ishiba exigiu o fim imediato das operações militares israelenses, que segundo ele estão agravando a crise humanitária, incluindo fome e deslocamento forçado. Ele alertou que, se Israel continuar a bloquear a solução de dois Estados, o Japão poderá tomar medidas diplomáticas adicionais.

Apesar de o Japão ainda não reconhecer oficialmente o Estado da Palestina, Ishiba afirmou que a questão é de “quando” e não de “se”, alinhando-se a países como França, Reino Unido e Canadá, que reconheceram a Palestina nos últimos dias.

O premiê também abordou temas como:

  • Desarmamento nuclear, criticando ameaças russas e reafirmando o compromisso com o Tratado de Não-Proliferação
  • Relações asiáticas, destacando o papel da tolerância pós-guerra para a paz regional
  • Coreia do Norte, exigindo cumprimento das resoluções da ONU e diálogo sobre os japoneses sequestrados

Ishiba encerra seu mandato após anunciar a renúncia à liderança do Partido Liberal Democrático, com sucessão marcada para 4 de outubro.

Assembleia Geral começa com embates e estreias:

A abertura da Assembleia foi marcada por discursos fortes e momentos históricos. Como tradição, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, foi o primeiro a falar. Em sua fala de 18 minutos, Lula criticou sanções unilaterais dos EUA, condenou o que chamou de genocídio em Gaza e defendeu o reconhecimento da Palestina como Estado soberano.

Donald Trump e Lula durante seus discursos na Assembleia Geral da ONU (Arte via Itatiaia)

Sem citar diretamente Donald Trump, Lula afirmou que o mundo vive uma “desordem internacional” e que democracias sólidas exigem combate à desigualdade, proteção à infância e regulação das big techs.

Trump, que discursou em seguida, respondeu brevemente ao encontro com Lula nos bastidores, dizendo que “foi cordial, mas breve”. Em seu discurso, o presidente americano defendeu o fortalecimento da soberania nacional, criticou o multilateralismo excessivo e reafirmou o apoio dos EUA a Israel, sem mencionar diretamente o reconhecimento da Palestina.

Zelenskyy e Palestina em destaque:

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, discursou na quarta-feira (24), pedindo mais apoio militar e diplomático contra a Rússia e acusando Moscou de usar o veto no Conselho de Segurança para proteger seus próprios interesses. Zelenskyy também agradeceu aos países que mantêm sanções contra o Kremlin e pediu que a ONU reforme urgentemente seus mecanismos de decisão.

Presidente da Urânia, Volodymyr Zelenskyy em seu discurso na Assembleia Geral da ONU (Imagem: Divulgação ONU)

A questão palestina dominou os dois primeiros dias. Mais de 150 países já reconhecem oficialmente o Estado da Palestina, e o tema foi citado por diversos líderes como urgente e central para a paz no Oriente Médio.

Estreia histórica da Síria:

Outro destaque foi o primeiro discurso da Síria na ONU em 58 anos, feito pelo presidente Ahmed al-Sharaa, ex-líder rebelde que assumiu o poder após a queda de Bashar al-Assad em 2024.

Presidente da Síria, Ahmed al-Sharaa em seu discurso na Assembleia Geral da ONU (Imagem: Divulgação ONU)

Al-Sharaa pediu o fim completo das sanções internacionais, denunciou os ataques israelenses e afirmou que seu governo está comprometido com o diálogo e reconstrução nacional. Ele também reconheceu os horrores da guerra civil e prometeu justiça para os crimes do regime anterior, além de apoio ao povo de Gaza.

Com informações via Asahi Shimbun, Mainichi Shimbun, Agência Brasil e CNN Brasil

Tags: Assembleia Geral da ONU Brasil Donald Trump EUA Israel Japão Lula Nova York ONU Palestina Shigeru Ishiba Síria Ucrânia

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