Mercados em Alerta: Tensões entre Japão e China interrompem rali do Nikkei

Decisão de Pequim de restringir exportações e a incerteza geopolítica na Venezuela geram cautela nos investidores globais após recordes históricos.

Após atingir patamares históricos, o mercado financeiro japonês enfrentou um movimento de correção nesta quarta-feira (07). O índice Nikkei 225 recuou 1,1%, fechando em 51.961,98 pontos, encerrando o fôlego do rali que havia levado a bolsa a recordes sucessivos no início do ano. Esse recuo foi impulsionado por uma combinação de realização de lucros e, principalmente, pelo aumento das tensões diplomáticas com a China, que anunciou restrições severas à exportação de itens de “uso duplo”, bens que possuem aplicações civis e militares, para o Japão.

A retaliação chinesa surge em um momento delicado, após as declarações da primeira-ministra Sanae Takaichi sobre a possibilidade de envolvimento militar japonês caso Pequim tome medidas contra Taiwan. Com a realização de exercícios militares chineses ao redor da ilha na semana passada, a proibição de exportações atingiu diretamente o sentimento dos investidores, especialmente nos setores de energia e tecnologia, que dependem de insumos e estabilidade comercial na região do Indo-Pacífico.

No cenário global, o otimismo gerado pela recente operação americana na Venezuela começou a dar lugar à incerteza. Embora a captura de Nicolás Maduro tenha inicialmente impulsionado as ações de energia em Wall Street, analistas sugerem que o rali tecnológico pode estar perdendo força. A percepção de “fadiga” no setor de tecnologia está provocando uma rotação de ativos, enquanto o mercado aguarda dados cruciais do mercado de trabalho dos Estados Unidos, que servirão de bússola para a próxima decisão do Federal Reserve sobre as taxas de juros em janeiro.

Enquanto as bolsas europeias operaram de forma mista e o dólar se manteve estável na faixa dos 156 ienes, o preço do petróleo apresentou queda, com o barril do tipo Brent recuando para a casa dos 60 dólares. Esse cenário reflete uma pausa estratégica dos investidores, que agora equilibram o entusiasmo com a política fiscal expansiva de Takaichi frente aos riscos crescentes de um conflito comercial e diplomático mais profundo na Ásia.

Com informações via Asahi Shimbun e Mainichi Shimbun