Cidades do Japão central dizem que continuarão contratando estrangeiros apesar de debate no governo
Prefeitos de várias cidades de Mie, no Japão central, afirmaram que vão continuar contratando funcionários estrangeiros, mesmo após o governador Katsuyuki Ichimi revelar, no fim do ano passado, que o governo estuda encerrar esse tipo de contratação.
A prefeita de Suzuka, Noriko Suematsu, declarou em entrevista coletiva de Ano Novo, no dia 6 de janeiro, que a cidade não pretende mudar sua política. “Não temos planos de acabar com a contratação de funcionários estrangeiros, pois queremos continuar garantindo uma equipe diversa”, afirmou. Ela evitou comentar diretamente a proposta do governo.
Até o ano de 2000, Suzuka restringia as vagas da prefeitura apenas a cidadãos japoneses, alegando que os cargos envolviam o exercício de autoridade pública. A partir de 2001, seguindo uma tendência nacional, a cidade passou a permitir a candidatura de residentes permanentes e residentes permanentes especiais estrangeiros.
Atualmente, estrangeiros podem concorrer a cinco tipos de cargos em Suzuka: administrativo, técnico, cuidador infantil, enfermeiro de saúde pública e relações trabalhistas. As funções no corpo de bombeiros continuam exclusivas para japoneses. Segundo a prefeitura, há funcionários estrangeiros empregados nessas áreas.
Suzuka tinha 192.865 habitantes no fim de dezembro de 2025. Desse total, 10.641 eram estrangeiros, vindos de 68 países e regiões. “Suzuka é uma das cidades com mais moradores estrangeiros no Japão. Queremos manter as portas abertas para estudantes estrangeiros que desejam trabalhar no serviço público”, disse Suematsu.
O prefeito de Kuwana, Narutaka Ito, também afirmou em coletiva no dia 6 de janeiro que não mudará a política local. “Não vamos alterar nossa postura de convivência nem nossa forma de contratar funcionários”, declarou. A cidade emprega estrangeiros como atendentes para auxiliar moradores e visitantes não japoneses na prefeitura.
Ito destacou que quase 6 mil estrangeiros vivem em Kuwana, impulsionados principalmente pelo setor industrial, que enfrenta escassez de mão de obra. “Estamos construindo uma cidade aberta ao mundo. Independentemente do que a cidade decidir, não vamos mudar nossa política de contratação”, afirmou.
Já o prefeito de Iga, Toshinao Inamori, demonstrou preocupação em seu discurso de Ano Novo, no dia 5 de janeiro. Segundo ele, a possível decisão do governo pode transmitir a mensagem de que estrangeiros devem ser excluídos da sociedade.
O debate sobre a contratação de funcionários estrangeiros segue em andamento em Mie e tem gerado reações de autoridades locais que defendem diversidade e convivência multicultural.
