Regulador nuclear suspende processo de reativação da usina de Hamaoka após descobrir dados manipulados
O órgão regulador nuclear do Japão decidiu realizar inspeções presenciais ainda neste mês na sede da empresa Chubu Electric Power Co. após a descoberta de falsificação de dados sobre resistência a terremotos. As informações manipuladas foram usadas pela companhia para tentar obter autorização para reativar uma usina nuclear.
Segundo a Autoridade de Regulação Nuclear do Japão, os dados apresentados pela empresa eram “claramente fabricados”. Com isso, todo o processo de avaliação de segurança foi reiniciado para uma investigação mais aprofundada.
A Chubu Electric terá que entregar ao regulador, até o fim de março, documentos detalhando como a fraude ocorreu e quais foram os motivos por trás da prática irregular.
A empresa foi acusada de selecionar apenas dados sísmicos favoráveis ao definir os padrões de resistência a terremotos da usina nuclear de Hamaoka, localizada em Shizuoka. O local é considerado sensível por estar em uma área onde se espera um grande terremoto na região da Fossa de Nankai, no Oceano Pacífico.
Em dezembro, o regulador já havia interrompido a análise para a reativação dos reatores 3 e 4 da usina. Nesta quarta-feira, a suspensão foi oficialmente confirmada. Outros pedidos feitos pela Chubu Electric também foram congelados, pois a autoridade afirmou não ter como confiar na credibilidade da empresa neste momento.
O caso representa um duro golpe para o governo japonês, que tenta ampliar o uso da energia nuclear sob regras rígidas de segurança, criadas após o desastre nuclear de Fukushima, em 2011.
Na semana passada, o presidente da Chubu Electric, Kingo Hayashi, afirmou que a empresa irá criar um comitê independente para investigar o caso. O Ministério da Economia, Comércio e Indústria também exigiu que a companhia apresente, até 6 de abril, um plano com medidas para evitar novas irregularidades.
A usina nuclear de Hamaoka está com suas operações suspensas desde maio de 2011, quando o Japão decidiu rever a segurança de suas centrais nucleares após a crise de Fukushima.
