Opositores planejam se unirem em novo partido centrista para enfrentar Takaichi

Em uma manobra histórica, o Partido Democrático Constitucional (CDPJ) e o Komeito unem forças para formar o “Chudo Kaikaku”, buscando o equilíbrio contra a coalizão conservadora em fevereiro.

O xadrez político japonês sofreu sua maior transformação em décadas nesta quinta-feira (15). Em resposta direta aos planos da primeira-ministra Sanae Takaichi de convocar eleições antecipadas, as duas maiores forças de centro-esquerda e centro-direita da oposição, o Partido Democrático Constitucional (CDPJ) e o Komeito, concordaram em se fundir em um novo partido.

A nova legenda, que deve ser batizada de Chudo Kaikaku (Reforma Centrista), surge com o objetivo explícito de frear a guinada à direita do governo e oferecer uma alternativa moderada ao eleitorado.

A Matemática do Poder: Uma Ameaça Real

A união altera drasticamente as projeções para o pleito de fevereiro. Com a fusão, a nova força centrista soma 172 cadeiras na Câmara Baixa, aproximando-se perigosamente das 199 cadeiras do PLD de Takaichi.

Bloco PolíticoComposiçãoCadeiras na Câmara Baixa
Governo (LDP-JIP)PLD (199) + Nippon Ishin (34)233 (Maioria absoluta mínima)
Nova Oposição (Centrista)CDPJ (148) + Komeito (24)172
Outros/OposiçãoDPP, JCP e Independentes60

A grande preocupação para o governo é a base de apoio do Komeito: a Soka Gakkai, a maior organização budista leiga do Japão. Estima-se que esse apoio represente entre 10.000 e 20.000 votos cruciais em cada distrito eleitoral, votos que por 26 anos ajudaram o PLD a vencer e que agora serão usados contra ele.

A Estratégia dos Líderes

O acordo foi selado entre o líder do CDPJ e ex-premiê, Yoshihiko Noda, e o chefe do Komeito, Tetsuo Saito.

  • Fusão Seletiva: Os membros da Câmara Baixa (que enfrentarão a eleição de fevereiro) se juntarão imediatamente ao novo partido. Já os membros da Câmara Alta e assembleias locais permanecerão nas siglas originais por enquanto.
  • União de Sindicatos e Fé: O novo partido combina o apoio do Rengo (a maior central sindical do Japão, base do CDPJ) com a mobilização da Soka Gakkai.
  • Pautas Comuns: O grupo defende reformas no escândalo de fundos ilícitos do PLD e a introdução do sistema opcional de sobrenomes separados para casais.

“Surgiu a oportunidade de colocar os centristas no centro da política do Japão. Queremos evitar que o país se incline ainda mais para a direita.” disse Yoshihiko Noda, líder do novo bloco.

Por que o Komeito rompeu com o PLD?

O divórcio ocorreu após 26 anos de aliança, motivado pelas visões “falcões” (hawkish) de Sanae Takaichi em defesa e segurança nacional, que colidem com a plataforma pacifista do Komeito. A decisão de Takaichi de dissolver o parlamento em janeiro foi o “empurrão final” para que Saito e Noda reatassem uma antiga parceria que remonta aos anos 90.

Reações do Governo

O PLD já demonstra sinais de alerta. Itsunori Onodera, veterano do partido, admitiu que a união terá um impacto severo em distritos onde a disputa é acirrada. Enquanto isso, o partido DPP, de Yuichiro Tamaki, recusou-se a participar da fusão, chamando a bandeira centrista de “extremamente vaga”.

O que esperar agora?

Com o anúncio oficial do nome do partido esperado para sexta-feira (16), o Japão entra em uma das campanhas eleitorais mais imprevisíveis de sua história recente. A eleição, marcada provavelmente para 8 ou 15 de fevereiro, não será mais um passeio para Takaichi, mas uma batalha real por cada voto centrista.