Resgate em Kyoto: O projeto inédito para levar cervos selvagens ao Castelo de Nagoya

Plano busca salvar a tradição dos cervos no fosso de Nagoya enquanto ajuda Kyoto a controlar a superpopulação de animais que ameaça plantas raras.

Um projeto descrito como “sem precedentes” está ganhando força entre as cidades de Kyoto e Nagoya. A proposta visa capturar cervos selvagens que hoje causam problemas ambientais em Kyoto e transportá-los por cerca de 100 quilômetros para viverem no fosso do icônico Castelo de Nagoya.

O castelo, um símbolo construído por Tokugawa Ieyasu, abriga cervos desde o período Edo, mas a tradição corre risco de acabar. Atualmente, restam apenas duas fêmeas no local: Momiji-chan e Yamamura-chan, de 17 e 14 anos. Sem a introdução de novos animais, a população pode desaparecer em menos de cinco anos.

O Dilema de Kyoto e a Solução de Nagoya

Enquanto Nagoya sofre com a escassez, Kyoto enfrenta o problema oposto. Em áreas como o lago Takaragaike e o monumento natural Mizorogaike, a proliferação de cervos selvagens tem destruído plantações e espécies de plantas raras que datam da Era do Gelo.

Para conter o avanço, o governo de Kyoto iniciou um projeto para abater cerca de 80 animais. Foi então que surgiu a ideia de transferir parte desses cervos para o Castelo de Nagoya, transformando uma medida de controle populacional em um esforço de preservação cultural.

“Faremos todos os esforços para recebê-los o mais rápido possível” disse o prefeito de Nagoya, Ichiro Hirosawa, após ser provocado por membros do PLD na assembleia municipal sobre o risco de extinção dos cervos no castelo.

Nesta foto de arquivo de 2024, vemos cervos selvagens que habitam o Parque Takaragaike, no bairro de Sakyo, em Kyoto. O governo municipal está realizando o abate desses animais. (Imagem via Mainichi)

Desafios Técnicos e Logísticos

Apesar do entusiasmo político, a relocação de cervos selvagens não é uma tarefa simples. Especialistas apontam obstáculos significativos que precisam ser superados antes que o transporte aconteça:

  • Aclimatação: Cervos selvagens não estão acostumados com a presença humana ou com alimentação fornecida por tratadores.
  • Saúde Pública: É necessário estabelecer um rigoroso sistema de testes para garantir que os animais de Kyoto não levem doenças para Nagoya.
  • Logística de Transporte: O deslocamento de 100 km exige caixas especiais e sedação para reduzir o estresse dos animais.

“Existem desafios, mas não abandonamos a ideia. Este é um desafio sem precedentes” disse o escritório de administração do Castelo de Nagoya.

Os dois cervos, uma mãe e seu filhote, são agora os únicos que vagam livremente no fosso interno do Castelo de Nagoya, número que caiu drasticamente em relação ao pico de 56 indivíduos, como mostra esta foto fornecida pela Administração Geral do Castelo de Nagoya. (Imagem via Mainichi)

Apoio Político e Próximos Passos

O governo de Sanae Takaichi tem incentivado iniciativas locais que equilibrem a preservação da fauna com a segurança urbana. Em Nagoya, o apoio do PLD foi fundamental para mudar o foco de comprar cervos de instalações de lazer para resgatar os animais de Kyoto.

O governo de Kyoto afirmou que, desde que o plano não interfira no cronograma de controle populacional da cidade, não haverá problemas na doação dos animais. A expectativa é que os primeiros “moradores” de quatro patas cheguem à sua nova casa histórica nos próximos meses, garantindo que o fosso do castelo continue a encantar visitantes por mais gerações.

O termo mais importante deste projeto é a integração entre preservação histórica e manejo ambiental, que pode servir de modelo para outras províncias japonesas.

Com informações via Mainichi Shimbun