Após 14 anos, a usina de Niigata retoma operações. A reativação de Kashiwazaki-Kariwa divide opiniões entre moradores e promete impulsionar a economia local.
A quarta-feira, 21 de janeiro, marcou um ponto de virada histórico para a matriz energética japonesa. Pela primeira vez em 14 anos, a Tokyo Electric Power Company (TEPCO) retomou as operações na usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa, na província de Niigata. Este evento é particularmente simbólico por ser o primeiro reator da companhia a voltar à ativa desde o desastre de Fukushima Daiichi em 2011.
Por volta das 19h02, os técnicos iniciaram o delicado procedimento de remoção das barras de controle do reator número 6. “Iniciamos a operação de retirada da barra de controle” disse um funcionário da TEPCO no momento em que o reator começou a ganhar vida. Pouco tempo depois, a empresa confirmou que o núcleo atingiu a “criticalidade”, o estado onde as reações de fissão nuclear se tornam autossustentáveis.
O Caminho até a Operação Comercial
Apesar do sucesso na inicialização, o processo não foi isento de pequenos contratempos. A reativação de Kashiwazaki-Kariwa sofreu um atraso de um dia devido a um erro de configuração nos sistemas das barras de controle. No entanto, a TEPCO seguiu com o cronograma de segurança e agora planeja iniciar a operação comercial plena no dia 26 de fevereiro, após testar exaustivamente as turbinas e os geradores.
A estratégia de energia nuclear é um pilar importante para o governo da primeira-ministra Sanae Takaichi. Com o apoio do PLD, o governo busca garantir a estabilidade do fornecimento elétrico e reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados, uma pauta que ganha força com o reinício das atividades em Niigata.
Vozes de Niigata: Entre a Economia e a Segurança
Como era de se esperar, a reativação de Kashiwazaki-Kariwa gerou reações mistas na comunidade local. De um lado, há um otimismo cauteloso focado na revitalização financeira da região; do outro, a memória dos eventos passados mantém o alerta ligado.

- Pelo Desenvolvimento: Um dono de hospedaria tradicional (ryokan) na faixa dos 60 anos expressou seu apoio. “Acho um desperdício não usá-la. Nossos antecessores trouxeram a usina para cá, então não temos escolha a não ser continuar” disse o empresário.
- Pela Economia: Um executivo de 50 anos acredita que o fluxo de trabalhadores e técnicos trará vida nova ao comércio local. “Espero que a reativação ajude a aumentar o fluxo de pessoas e revitalize a economia local” disse ele.
A TEPCO agora enfrenta o desafio de manter a transparência absoluta e a segurança impecável para reconstruir a confiança do público. O sucesso desta operação em Kashiwazaki-Kariwa servirá de modelo para o futuro de outros reatores parados por todo o arquipélago.
