Déficit comercial no Japão é registrado pelo 5º ano consecutivo em meio a recordes

Com exportações em alta, o déficit comercial no Japão caiu pela metade em 2025, apesar das duras tarifas de Trump e tensões com a China.

O ano de 2025 trouxe um cenário de alívio e novos desafios para a economia nipônica. Pelo quinto ano consecutivo, o país fechou suas contas no vermelho, mas o déficit comercial no Japão registrou uma queda impressionante de 52,9%. Segundo dados do Ministério das Finanças, o saldo negativo ficou em 2,65 trilhões de ienes (cerca de 16,7 bilhões de dólares), um valor bem menor do que o registrado no ano anterior.

Essa melhora significativa aconteceu por dois motivos principais: a redução nos preços internacionais de energia, como petróleo e carvão, e um desempenho histórico das vendas para o exterior. As exportações bateram recorde e cresceram mais de 3%, impulsionadas principalmente pelo setor de tecnologia e semicondutores.

O Peso das Tarifas e a Muralha Chinesa

Apesar dos números positivos nas vendas globais, o déficit comercial no Japão ainda sofre com as barreiras impostas pelos grandes parceiros. As exportações para os Estados Unidos caíram pela primeira vez em cinco anos devido às tarifas de 15% impostas pelo governo de Donald Trump, atingindo em cheio as montadoras de veículos, que viram seus embarques despencarem mais de 11%.

Além disso, a relação com a China está sob pressão. Pequim começou a restringir a exportação de terras raras, essenciais para a indústria japonesa, após a primeira-ministra Sanae Takaichi sinalizar uma postura defensiva em relação a Taiwan. Esse imbróglio diplomático fez com que o déficit com os chineses crescesse mais de 20%.

Política e Futuro Econômico

Mesmo com o desequilíbrio nas contas, a economia tem se mantido resiliente, o que mantém a popularidade de Sanae Takaichi em alta. O governo da PLD observa os indicadores com cautela, já que o mercado interno ainda reclama de preços altos e salários estagnados.

“É improvável, por enquanto, que as exportações liderem a economia japonesa” disse Takafumi Fujita, economista do Meiji Yasuda Research Institute, destacando que a recuperação do setor automotivo pode levar mais tempo do que o esperado.

O fato é que o déficit comercial no Japão agora depende de como o governo vai navegar entre as exigências de Trump e a retaliação chinesa. O mês de dezembro já deu um sinal de esperança com um superávit mensal, mostrando que, apesar dos pesares, o Japão continua sendo uma potência exportadora de respeito.

Com informações via NHK World, Asashi Shimbun e Mainichi Shimbun