Prudential suspende venda de seguros no Japão após fraude de funcionários

Mais de 100 empregados atuais e antigos participaram de práticas irregulares, segundo a empresa

A Prudential Life Insurance Co. anunciou nesta quarta-feira que vai suspender voluntariamente a venda de seguros de vida no Japão por 90 dias, a partir da próxima semana. A decisão ocorre após a revelação de que mais de 100 funcionários atuais e antigos da empresa cometeram irregularidades, incluindo fraudes contra clientes.

A filial japonesa do grupo americano Prudential Financial informou que a paralisação temporária nas novas vendas começará na próxima segunda-feira. O objetivo é implementar mudanças na governança e nos processos internos para corrigir falhas e tentar recuperar a confiança dos clientes.

A Agência de Serviços Financeiros do Japão abriu uma investigação depois que a empresa informou, em 16 de janeiro, que funcionários receberam de forma indevida cerca de 3,1 bilhões de ienes, o equivalente a aproximadamente US$ 20 milhões, de cerca de 500 clientes. Entre as irregularidades estavam falsas propostas de investimento.

A Prudential também informou que Kan Mabara, que renunciou ao cargo de presidente e diretor executivo da unidade japonesa, deixará completamente a empresa. Inicialmente, ele permaneceria como conselheiro, mas a companhia afirmou que ele não terá mais nenhum envolvimento com suas atividades futuras.

Segundo a seguradora, os problemas foram causados por um sistema de remuneração excessivamente baseado em desempenho, aliado à falta de supervisão adequada. A empresa afirmou que os clientes prejudicados serão indenizados por meio de um comitê independente.

Em comunicado, o novo presidente e diretor executivo da Prudential Life, Hiromitsu Tokumaru, pediu desculpas aos clientes e às demais partes afetadas. Ele afirmou que a suspensão das vendas é um passo importante para reconstruir a confiança e promover as mudanças necessárias na organização.

A Agência de Serviços Financeiros informou que está apurando os fatos relacionados às atividades de venda e ao tratamento dos dados pessoais dos clientes. A ministra das Finanças, Satsuki Katayama, afirmou que o órgão vai agir com rigor.

Durante o período de 90 dias, os pagamentos de seguros já contratados e os termos dos contratos existentes não serão afetados. A empresa também vai revisar possíveis irregularidades em novos contratos que já estavam em negociação com clientes.