Parceria com “My Hero Academia” gerou críticas por referência a crimes de guerra do Japão
Eventos de anime realizados recentemente em cidades da China passaram a proibir cosplay e a venda de produtos da série japonesa “Detective Conan”. A decisão ocorreu após críticas do público chinês a uma colaboração da obra com o anime “My Hero Academia”, que já havia sido alvo de polêmicas no país.
As proibições foram registradas em eventos realizados em Pequim, Chongqing e Lanzhou. Muitos internautas e fãs afirmaram que a parceria entre os dois animes foi “ofensiva ao povo chinês”, por relembrar episódios dolorosos da história da Segunda Guerra Mundial.
Em 2020, “My Hero Academia” foi removido de plataformas de vídeo na China após polêmica envolvendo o nome de um vilão, Maruta Shiga. O termo “Maruta”, que significa “toras”, era usado pelo Exército Imperial Japonês para se referir às vítimas de experimentos humanos realizados pela Unidade 731, que conduziu testes biológicos e químicos no nordeste da China durante a guerra. O sobrenome Shiga também remete a um bacteriologista japonês ligado a estudos sobre doenças infecciosas.
A parceria entre os dois animes foi criada para comemorar os 30 anos de “Detective Conan” e os 10 anos de “My Hero Academia”. Como parte da campanha, os autores das obras divulgaram ilustrações dos personagens principais desenhados no estilo um do outro.
Em Lanzhou, capital de Gansu, os organizadores informaram que pessoas vestindo quimonos, tamancos de madeira ou roupas associadas ao militarismo japonês não poderiam entrar no evento. Segundo eles, a medida foi tomada porque o conteúdo de “My Hero Academia” envolve “questões históricas que ferem os sentimentos do povo chinês”.
Já os responsáveis pela feira de anime em Pequim afirmaram que a proibição do cosplay e da venda de produtos tinha como objetivo manter “um bom ambiente” no evento.
Em Chongqing, além de “Detective Conan”, também foram proibidos cosplay e produtos da franquia Pokémon. A decisão ocorreu após a indignação do público com um plano de realizar um evento de jogo de cartas de Pokémon no Santuário Yasukuni, no Japão.
O evento de cartas, que estava previsto para o dia 31 de janeiro, acabou sendo cancelado. O Santuário Yasukuni homenageia líderes japoneses condenados como criminosos de guerra após a Segunda Guerra Mundial, além de milhões de mortos em conflitos.
China e Coreia do Sul, países que sofreram com a ocupação japonesa, veem o santuário como um símbolo do passado militarista do Japão.
