O prefeito Koji Matsui propõe preços diferenciados para residentes e turistas para combater os impactos negativos do excesso de visitantes.
A prefeitura da antiga capital japonesa revelou um plano audacioso que pode mudar a forma como os transportes públicos operam no país. O prefeito Koji Matsui propôs a introdução de um sistema de preços dual para a tarifa de ônibus em Kyoto, com o objetivo de aliviar o fardo dos residentes locais que sofrem com as consequências do turismo de massa.
Pela proposta, o valor atual de 230 ienes seria reduzido para 200 ienes exclusivamente para os cidadãos de Kyoto. Em contrapartida, os não residentes, o que inclui a vasta massa de turistas nacionais e internacionais, passariam a pagar um valor significativamente mais alto pela locomoção.
“Devido às medidas de excesso de turismo e ao aumento dos custos, espera-se que as tarifas sejam de 350 a 400 ienes, mas queremos oferecer descontos aos cidadãos” disse Koji Matsui.
O Desafio do Excesso de Turismo
A necessidade dessa medida surge de dados alarmantes que pressionam a infraestrutura urbana. Com uma população de 1,43 milhão de habitantes, Kyoto recebeu impressionantes 56,06 milhões de turistas em 2024, incluindo um recorde histórico de 10,88 milhões de visitantes estrangeiros. Esse fluxo massivo transformou o congestionamento e os atrasos nos coletivos em símbolos do desconforto vivido pela população local.
Uma pesquisa realizada pela administração municipal em 2024 revelou que quase 80% dos residentes se sentem prejudicados pela lotação nos transportes e pelo comportamento inadequado de alguns visitantes nas áreas históricas.
Comparativo da Proposta de Tarifa
A cidade busca agora a aprovação do Ministério das Terras, Infraestrutura, Transporte e Turismo para colocar o plano em prática no ano fiscal de 2027.
| Categoria | Tarifa Atual | Tarifa Proposta |
| Moradores de Kyoto | 230 ienes | 200 ienes |
| Não Residentes (Turistas) | 230 ienes | 350 – 400 ienes |
Barreiras Legais e Próximos Passos
Embora a intenção seja clara, a implementação enfrenta obstáculos jurídicos importantes. A Lei de Transporte Rodoviário do Japão proíbe o tratamento discriminatório injusto nas tarifas. No entanto, a prefeitura argumenta que o combate ao “overtourism” e a necessidade de harmonizar a vida urbana são motivos razoáveis para a mudança.
Além da tarifa de ônibus em Kyoto, a administração municipal já está tomando outras providências para gerenciar o impacto das visitas:
- Aumento das alíquotas da Taxa de Acomodação a partir de 1º de março para elevar a receita tributária.
- Fortalecimento das regulamentações sobre hospedagens privadas e aluguéis de curta duração.
- Implementação de novas sinalizações e orientações para melhorar a etiqueta dos turistas nos bairros tradicionais.
A iniciativa de Matsui, eleito com a promessa de priorizar o bem-estar dos cidadãos, marca um momento decisivo na gestão pública japonesa, tentando transformar os benefícios financeiros do setor turístico em vantagens diretas para quem mantém a cidade viva.
Com informações via Mainichi Shimbun
