Japão confirma dois detidos em Teerã e danos em embarcação no Golfo de Omã em meio ao agravamento do Conflito no Irã.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Motegi Toshimitsu, confirmou nesta sexta-feira que dois cidadãos japoneses estão detidos pelas autoridades iranianas. Um dos detidos é o chefe do escritório da emissora pública NHK em Teerã, apreendido em 20 de janeiro. O segundo indivíduo está sob custódia desde junho.
O governo japonês estabeleceu contato com ambos após os ataques de 28 de fevereiro e confirmou que estão em segurança. Motegi informou à Dieta que exigiu veementemente a libertação imediata ao embaixador do Irã no Japão. Das aproximadamente 200 pessoas de nacionalidade japonesa no Irã, cerca de 75% são residentes permanentes e muitos manifestaram o desejo de permanecer no país.
Incidente Naval no Golfo de Omã
O Ministério dos Transportes reportou que um navio vinculado ao Japão, ancorado no Golfo de Omã, sofreu danos leves na manhã de quarta-feira. A embarcação teria sido atingida por um objeto aéreo não identificado, com menos de um metro de diâmetro, que resultou em janelas quebradas e danos em uma chaminé.
Não houve feridos e nenhum cidadão japonês estava a bordo no momento do incidente. O ministro Kaneko Yasushi afirmou que as operações do navio não foram interrompidas, mas solicitou à Associação de Armadores do Japão vigilância máxima. Atualmente, 48 embarcações ligadas ao país operam na região do Golfo, sendo 44 no Golfo Pérsico e quatro no Golfo de Omã.
Plano de Evacuação e Assistência das FDS
Para garantir a retirada de cidadãos em áreas de risco, o governo organizou voos fretados que partirão de Omã e da Arábia Saudita no domingo. O plano foca em retirar viajantes que estão no Kuwait, Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos.
Como medida de precaução, o Ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi, instruiu as Forças de Autodefesa (FDS) a enviarem uma aeronave de transporte para as Maldivas, onde permanecerá de prontidão caso os voos privados tornem-se indisponíveis ou ocorram desdobramentos imprevisíveis no conflito no Irã.
Coordenação com os Estados Unidos
O governo japonês avalia discretamente um possível pedido de assistência das FDS para escoltar navios-tanque pelo Estreito de Ormuz, após o anúncio do presidente Donald Trump sobre a proteção da Marinha dos EUA na região.
O debate jurídico em Tóquio é complexo. Autoridades consideram se a situação qualifica-se como uma “ameaça à sobrevivência do Japão”, o que permitiria o direito de autodefesa coletiva. Embora o Japão dependa do Oriente Médio para 90% de seu petróleo, o entendimento atual é de que os estoques nacionais de energia limitam o impacto imediato na vida dos cidadãos, não justificando, por ora, uma mobilização militar sem precedentes que poderia comprometer a relação diplomática de longa data com o Irã.
