Análise mostra queda no número de candidatos; ensino privado gratuito pode estar acelerando mudança de estudantes
Uma análise do jornal japonês Mainichi Shimbun revelou que escolas públicas de ensino médio em tempo integral em 33 das 47 cidades do Japão têm menos candidatos do que vagas disponíveis para o ano letivo de 2026.
Os dados foram divulgados no dia 9 de março, após conselhos de educação locais publicarem gradualmente os números de candidatos e a relação entre inscritos e vagas nos exames principais de admissão realizados no ano letivo de 2025.
Segundo o levantamento, 33 cidades registraram proporção inferior a um candidato por vaga, o que representa 70,2% do total. Em 15 cidades, a relação caiu para menos de 0,9 candidato por vaga, e em cinco delas o índice ficou abaixo de 0,8.
Embora comparações diretas não sejam possíveis em alguns casos devido a mudanças no número de vagas ou no formato dos exames, o estudo mostra que 40 cidades — cerca de 85% do país — tiveram queda na relação candidato-vaga em comparação com o ano anterior, incluindo a região de Tóquio.
Historicamente, a redução no número de candidatos às escolas públicas tem sido atribuída à queda na taxa de natalidade no Japão, que diminui o número de estudantes. No entanto, a análise indica que a queda nas inscrições foi ainda mais rápida do que a diminuição da população estudantil em quase todas as cidades.
Entre os fatores apontados para essa mudança está o aumento da popularidade das escolas privadas. O governo japonês pretende iniciar, a partir do ano letivo de 2026, um programa que tornará gratuitas as mensalidades das escolas privadas de ensino médio. A medida reduz um dos principais obstáculos para essas instituições, que é o custo mais alto para as famílias.
Com isso, cresce a preocupação entre autoridades educacionais de que mais alunos deixem de escolher escolas públicas. Segundo representantes de conselhos de educação locais, a redução no número de estudantes pode afetar atividades educacionais em grupo e até levar a discussões sobre fusões ou fechamento de escolas em algumas regiões.
Além disso, programas de ensino a distância, que permitem estudar de forma mais flexível, também estão ganhando popularidade no país.
Em Osaka e na capital Tóquio, onde programas de gratuidade para escolas privadas já foram implementados antes do restante do país, muitas escolas públicas já não conseguem preencher todas as vagas disponíveis.
No Parlamento japonês, o Comitê de Educação da Câmara dos Representantes iniciou em 9 de março as discussões sobre os projetos de lei necessários para implementar a política de ensino privado gratuito. O governo e os partidos da base pretendem aprovar a medida até o fim do atual ano fiscal.
