Matsuyama aposta no cultivo de abacate para enfrentar mudanças climáticas

Cidade japonesa tradicionalmente citrícola amplia produção com fruta mais adaptada ao calor

A cidade de Matsuyama, em Ehime, no oeste do Japão, está passando por uma transformação agrícola motivada pelas mudanças climáticas. Conhecida historicamente pela produção de frutas cítricas, a região agora aposta no cultivo de abacates como alternativa diante do aumento das temperaturas.

Um dos exemplos dessa mudança é o agricultor Fuminori Arita, de 67 anos. Ele deixou de cultivar a variedade cítrica japonesa iyokan há cerca de uma década para investir no abacate, uma fruta que descreve como “sensível e difícil de cultivar”. Apesar dos desafios, Arita afirma que a satisfação ao obter bons resultados compensa o esforço. Atualmente, seus abacates são vendidos por cerca de 5.000 ienes (aproximadamente 32 dólares) por quilo.

A iniciativa faz parte de um movimento maior liderado pela própria cidade de Matsuyama, que tem incentivado produtores a diversificarem suas culturas. Com apoio local, a produção de abacates cresceu significativamente: passou de cerca de 600 quilos no ano de 2015 para aproximadamente 7.300 quilos em 2024 — um aumento superior a 12 vezes em menos de uma década.

Especialistas apontam que o aquecimento global está mudando as condições ideais de cultivo no Japão. De acordo com a Organização Nacional de Pesquisa em Agricultura e Alimentos, áreas adequadas para frutas cítricas devem se deslocar gradualmente para o norte, enquanto regiões atualmente quentes demais para cítricos tendem a se tornar ideais para o abacate.

Projeções indicam que, até meados do século, as áreas propícias ao cultivo de abacate no país podem aumentar mais de 2,5 vezes. O cenário tem impulsionado iniciativas semelhantes em outras regiões, como em Shizuoka, no centro do Japão, onde o abacate é conhecido como “a manteiga da floresta”.

O governo japonês também tem reforçado esse movimento. Um programa de subsídios do Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca, previsto para começar no ano de 2026, busca acelerar a adoção de culturas mais resistentes ao calor.

Outras regiões já seguem o mesmo caminho de adaptação. Em Aomori, famosa por suas maçãs, tem expandido a produção de pêssegos, enquanto Oita investe no cultivo da uva shine muscat.

Segundo Tatsumi Shiba, representante de uma entidade local que orienta agricultores em Matsuyama, o aumento das temperaturas mínimas pode facilitar o cultivo do abacate. A expectativa é de crescimento contínuo da produção e de que a cidade se torne referência nacional na fruta.

A mudança em Matsuyama ilustra como agricultores japoneses estão se adaptando a um novo cenário climático, buscando alternativas para manter a produtividade e garantir o futuro da agricultura local.