Navio petroleiro da Eneos atravessa ponto crítico do Oriente Médio, trazendo alívio para a Importação de Petróleo japonesa em meio à crise.
Em um desdobramento crucial para a segurança energética das ilhas nipônicas, um petroleiro de bandeira panamenha, operado pelo grupo Eneos, conseguiu atravessar com sucesso o Estreito de Ormuz nesta quinta-feira (14). Este é o segundo caso de uma embarcação ligada ao Japão que consegue superar o bloqueio parcial resultante do conflito na região, representando um passo importante para a estabilização da importação de petróleo.
Antes das interrupções causadas pelas tensões bélicas, o Japão dependia do Golfo para cerca de 95 por cento de suas necessidades de óleo bruto. O retorno das operações nesta rota vital é visto com otimismo pelas refinarias nacionais.
“O petroleiro cruzou o estreito com segurança e deve chegar ao Japão no final de maio ou início de junho” disse Miyata Tomohide, diretor executivo da Eneos.
Diplomacia e Estoques Estratégicos
A passagem segura do navio, que carrega 1,2 milhão de barris de petróleo do Kuwait e 700 mil barris de óleo dos Emirados Árabes Unidos, é fruto de uma intensa ofensiva diplomática liderada pelo governo japonês. No mês passado, a líder japonesa manteve conversas diretas com o presidente iraniano Masoud Pezeshkian para garantir a integridade do fluxo logístico.
O Ministério das Relações Exteriores confirmou que o governo mantém contato constante com as autoridades em Teerã através de sua embaixada. “A coordenação diplomática continuará para retirar os 39 navios restantes relacionados ao Japão do Golfo” disse o Ministério das Relações Exteriores do Japão.
Para mitigar os riscos enquanto a rota não é totalmente liberada, Tóquio adotou as seguintes medidas:
- Aumento da busca por fornecedores alternativos nos Estados Unidos e na região do Cáspio.
- Utilização controlada das reservas estratégicas de combustível.
- Manutenção de subsídios governamentais para evitar a disparada dos preços no varejo doméstico.
Projeções de Normalização no Setor
Com a diversificação das fontes e o retorno gradual dos navios, as operações de refino no Japão começaram a apresentar sinais de recuperação. Este mês, a taxa de operação das refinarias ultrapassou os 70 por cento pela primeira vez desde março.
O grupo Idemitsu Kosan, segundo maior refinador do país, também registrou a passagem do navio Idemitsu Maru recentemente e projeta um cenário otimista para o segundo semestre. “Esperamos que Ormuz seja reaberto em algum momento entre julho e setembro” disse a administração da Idemitsu. A empresa prevê que os preços de referência do petróleo de Dubai retornem aos níveis pré-guerra até o final do próximo ano fiscal.
A movimentação ocorre em paralelo à cúpula em Pequim entre os líderes dos Estados Unidos e da China, reforçando a relevância geopolítica do Estreito de Ormuz para as superpotências e seus aliados estratégicos.
Com informações via Asahi Shimbun
