Pesquisa da Universidade de Iwate mostra que gatos comem menos quando recebem sempre o mesmo aroma, mas recuperam o interesse com novos cheiros
Um estudo realizado por pesquisadores da Iwate University, no Japão, revelou que o comportamento alimentar dos gatos pode estar mais ligado ao olfato do que à conhecida fama de serem animais “exigentes” para comer.
A pesquisa mostrou que, quando os gatos recebem repetidamente a mesma comida, a quantidade ingerida diminui aos poucos. No entanto, o apetite volta a aumentar quando o cheiro muda, mesmo que o alimento continue sendo o mesmo.
Os resultados foram publicados na edição de 1º de abril da revista científica internacional Physiology and Behavior e destacam a importância dos estímulos olfativos nos hábitos alimentares felinos. Segundo os cientistas, a descoberta pode ajudar no desenvolvimento de novos alimentos para pets e melhorar os cuidados com gatos idosos ou doentes, que costumam perder o apetite.
Os gatos normalmente comem pequenas porções várias vezes ao dia e frequentemente deixam parte da comida no pote. Durante muito tempo, esse comportamento foi associado apenas ao instinto ou ao humor dos animais, mas os pesquisadores afirmam que o mecanismo por trás disso ainda não era totalmente compreendido.
“Nosso estudo oferece uma resposta para uma dúvida que muitos donos de gatos têm”, afirmou o professor Masao Miyazaki, responsável pela pesquisa.
No experimento, 12 gatos foram alimentados seis vezes em intervalos regulares, com pausas de 10 minutos entre cada refeição. Quando a mesma comida era servida continuamente, o consumo diminuía gradualmente.
Por outro lado, quando um alimento diferente era apresentado na sexta refeição, os gatos voltavam a comer mais. O mesmo efeito foi observado quando os pesquisadores adicionaram um novo aroma à mesma comida oferecida anteriormente.
A equipe também descobriu que a exposição constante ao mesmo cheiro entre as refeições reduzia ainda mais o consumo. Já a introdução de aromas diferentes ajudava os animais a manterem um interesse maior pela alimentação.
Segundo os pesquisadores, os hábitos alimentares dos gatos são influenciados não apenas pela sensação de saciedade, mas também por um fenômeno chamado “habituação olfativa”, em que a sensibilidade a um cheiro repetido diminui com o tempo. Quando um novo estímulo é apresentado, ocorre a chamada “desabituação”, que desperta novamente o interesse do animal.
Para os cientistas, alternar alimentos com aromas diferentes pode ser uma forma simples de incentivar os gatos a comer melhor.
“Esperamos que isso contribua para uma relação ainda melhor entre os gatos e seus donos”, concluiu Miyazaki.
