Pesquisa revela que 72% dos japoneses favorecem a permissão para que mulheres assumam o trono na Sucessão imperial.
Um novo levantamento nacional acendeu o debate sobre o futuro do Trono do Crisântemo no Japão. De acordo com uma pesquisa de opinião pública realizada nos dias 16 e 17 de maio pelo jornal The Asahi Shimbun, a esmagadora maioria dos eleitores japoneses favorece reformas profundas na sucessão imperial, permitindo que mulheres ascendam ao cargo de imperatriz.
Atualmente, a Lei da Casa Imperial restringe a elegibilidade estritamente aos descendentes do sexo masculino na linha paterna. Contudo, as pressões demográficas e a redução do número de membros da família real forçaram a Dieta a analisar propostas apresentadas por um painel de especialistas do governo.
Apoio expressivo a imperatrizes e linhagem materna
O estudo revelou dados contundentes sobre o desejo de modernização institucional por parte da população:
- 72 por cento dos entrevistados apoiam a permissão para que uma mulher se torne imperatriz.
- 74 por cento são favoráveis a um “imperador de linhagem feminina”, ou seja, aquele que descende da família real apenas pelo lado materno.
- Em contrapartida, apenas 18 por cento acreditam que a elegibilidade deve continuar limitada aos homens ou que o sistema de linhagem exclusivamente masculina precisa ser mantido.
O desejo de reforma também abrange o status das princesas. Cerca de 65 por cento dos eleitores são a favor de permitir que as integrantes femininas permaneçam na família real após o casamento com plebeus, uma medida que visa conter o esvaziamento da corte. Atualmente, apenas 19 por cento se opõem a essa mudança.
O impasse político e a postura do governo
Apesar dos altos índices de aceitação popular, a liderança política do país mantém uma postura tradicionalista. Em um evento partidário realizado em abril, a primeira-ministra Sanae Takaichi, do PLD, reforçou sua posição conservadora em relação à tradição histórica da monarquia.
“O fato histórico de que a linha imperial foi herdada através da linha masculina é a fonte da autoridade e legitimidade do imperador” disse Sanae Takaichi.
A fala reflete a resistência da ala governista em alterar o núcleo da tradição. Mesmo entre os apoiadores do gabinete de Takaichi e eleitores do PLD, os números contrariam o discurso oficial: 68 por cento desses eleitores apoiam uma imperatriz e 70 por cento aceitam um monarca de linhagem materna.
Tabela: Divisão de Opiniões sobre a Expansão do Status Imperial
Um ponto de real divisão entre os cidadãos surge quando a questão envolve conceder títulos oficiais aos cônjuges e filhos de princesas casadas com plebeus.
| Grupo de Eleitores | A favor do status para marido/filhos | Contra o status para marido/filhos |
| Total de Respondentes | 42% | 42% |
| Apoiadores do PLD | 45% | 44% |
Alternativas em discussão e histórico
Para garantir a manutenção das funções reais, duas propostas centrais estão sob avaliação parlamentar na Dieta: a permanência das mulheres na família após o matrimônio e a adoção de descendentes masculinos de ramos colaterais extintos após a Segunda Guerra Mundial. Esta última medida conta com 47 por cento de aprovação e 36 por cento de rejeição.
Estatísticas coletadas por amostragem telefônica aleatória com 1.163 respostas válidas indicam que o suporte a mulheres no trono cresceu na última década. Em avaliações semelhantes feitas em 2005 e 2006 (período que antecedeu o nascimento do Príncipe Hisahito), o apoio à governantes femininas oscilava entre 66 por cento e 78 por cento. Os dados atuais demonstram que, independentemente do gênero dos respondentes, com mulheres registrando aceitação ligeiramente maior, a modernização da sucessão imperial é vista como um caminho natural pela sociedade.
Com informações via Asahi Shimbun
