Tóquio revisa plano e foca na prevenção de incêndios para mitigar megaterremoto

Novo plano visa reduzir mortes pela metade em 10 anos, priorizando a prevenção de incêndios provocados por falhas elétricas.

O governo japonês aprovou uma versão revisada de seu plano de contingência para enfrentar um potencial megaterremoto na área metropolitana de Tóquio. A diretriz estabelece o objetivo de reduzir as fatalidades projetadas pela metade no período de dez anos, concentrando a maior parte dos esforços em ações rigorosas de prevenção de incêndios. Pelas estimativas atuais das autoridades, um tremor de grandes proporções na capital pode resultar em até 18.000 mortes e na destruição de 400.000 edificações.

Como os incêndios subsequentes aos tremores são apontados como os responsáveis por 70% desse total de mortes, o plano básico aprovado estipula a ampliação de medidas de contenção contra o fogo e a instalação em massa de disjuntores sísmicos. A nova estratégia governamental é consideravelmente mais detalhada que as anteriores, estabelecendo 189 metas numéricas específicas, o que representa quatro vezes mais objetivos do que o plano formulado em 2015. No plano de 2015, a meta era reduzir pela metade as 23.000 mortes estimadas até o ano de 2025. Embora o número projetado de fatalidades tenha caído para 18.000, o resultado final ficou aquém do objetivo estipulado originalmente.

Disjuntores sísmicos como pilar estratégico

Para diminuir drasticamente o risco de conflagrações, o plano do governo estabelece como meta elevar a taxa de instalação de disjuntores sísmicos em prédios para quase 100% até o ano fiscal de 2035. Esse dispositivo desarma e corta o fornecimento de eletricidade de forma automática assim que detecta as ondas de um terremoto. No ano fiscal de 2024, a taxa de adoção desse equipamento na região de Tóquio era de somente 20%.

A relevância da prevenção de incêndios por vias elétricas é amparada por dados históricos colhidos pelo Gabinete do Governo. Mais da metade dos incêndios registrados após o tremor principal do Grande Terremoto do Leste do Japão, em 2011, teve origem elétrica. Os disjuntores automáticos também atuam para evitar tragédias no momento em que a energia é restabelecida, impedindo que fiações danificadas ou aquecedores ligados desencadeiem focos de fogo.

Existem modelos simples desses aparelhos que podem ser conectados diretamente em tomadas comuns, enquanto outros funcionam por meio de um sistema de contrapeso para desarmar a caixa de luz. Ambas as versões possuem custo acessível, inferior a 10.000 ienes (cerca de 62 dólares), e frequentemente dispensam mão de obra especializada para instalação. Apesar disso, o nível de conhecimento da população sobre a tecnologia ainda é baixo: uma pesquisa realizada pelo governo metropolitano de Tóquio no ano fiscal de 2024 revelou que apenas 30% dos entrevistados conheciam os disjuntores sísmicos.

Preparação comunitária e continuidade de serviços

O documento atual reforça que os cidadãos devem encarar os desastres naturais como um problema de ordem pessoal, promovendo a autoajuda e o apoio mútuo para que a assistência pública estatal seja direcionada prioritariamente àqueles que mais necessitam.

Tabela: Diretrizes de Preparação e Infraestrutura

Setor de AplicaçãoMedida RecomendadaMeta Estipulada pelo Governo
Abastecimento FamiliarEstocagem de alimentos e água potável.Mínimo de três dias de suprimentos por residência.
Edifícios ResidenciaisRealização de simulações de evacuação e emergência.No mínimo uma simulação de desastre realizada por ano.
Setor CorporativoDesenvolvimento de Planos de Continuidade de Negócios (PCN).100% de adesão e conclusão entre as grandes empresas.
Infraestrutura de TransporteReforço e readequação sísmica de estações e ferrovias elevadas.Adequar 42% das estruturas críticas até o ano fiscal de 2030.

Além dessas metas, as diretrizes oficiais passam a incentivar ativamente o isolamento seguro dentro das próprias casas, planos de evacuação para áreas ampliadas e o modelo de dupla residência para diluir a densidade populacional em momentos de crise.

Exigência de padrões estruturais mais rígidos

A eficácia de focar o plano na permanência dos cidadãos em suas casas levanta questionamentos técnicos sobre a engenharia civil da capital. De acordo com Nobuo Fukuwa, professor emérito da Universidade de Nagoya e especialista em engenharia de terremotos, as normas de resistência a abalos estruturais na cidade precisam ser urgentemente revistas, visto que Tóquio se expandiu sobre terrenos macios e possui muitos arranha-céus construídos em áreas de alto risco de liquefação do solo.

“As normas de resistência a terremotos, de acordo com a Lei de Normas de Construção, visam proteger vidas em um único terremoto e não garantem que os edifícios permanecerão funcionais posteriormente.”, disse Nobuo Fukuwa. O especialista adverte que as regras atuais de construção civil focam apenas em evitar desabamentos imediatos para salvar vidas no momento do impacto. “Se o objetivo é promover o isolamento domiciliar, então a adequação das próprias normas sísmicas também deve ser reconsiderada.”, disse Nobuo Fukuwa.

Por fim, Fukuwa ressalta que o suporte público governamental será incapaz de cobrir todas as demandas logísticas de Tóquio caso um tremor dessa magnitude aconteça, tornando vital a interiorização da população por meio de moradias secundárias. “Espero que o anúncio do novo plano seja visto como uma oportunidade para reexaminar a relação entre a capital e as áreas regionais.”, disse Nobuo Fukuwa.

Com informações via Asahi Shimbun